por Davi Lira, do Porvir, 13-set-13
Mesmo estando mais presente na agenda de discussões da sociedade, a sustentabilidade é um tema que as pessoas já entenderam, mas ainda não incorporam completamente ao seu dia a dia. Isso é o que afirma o Instituto Akatu, ONG que está por trás da Edukatu, uma rede de aprendizagem virtual que busca, por meio de atividades educacionais lúdicas e interdisciplinares, estimular práticas de sustentabilidade e o consumo consciente no país entre estudantes de 6 a 14 anos. Considerada a primeira do gênero, a comunidade virtual entrou no ar nesta quarta-feira (11) e já pode ser acessada gratuitamente por professores e alunos de todo o país.
Tendo como um dos principais objetivos incentivar a troca de conhecimentos e práticas entre os professores e alunos sobre os temas sócio-ambientais, a Edukatu permite que os docentes possam montar projetos e, assim, trabalhar de forma interativa com os seus alunos as temáticas da sustentabilidade e do consumo consciente. É preciso apenas alguns minutos para criar um perfil – o de professor ou o de aluno – e usufruir das funcionalidades da plataforma. “Nossa proposta maior é a inclusão do consumo consciente dentro da educação formal, como tema transversal que pode ser trabalhado em diversas disciplinas do currículo em todas as escolas”, diz a gerente de educação do Akatu, Silvia Sá.
Dessa forma, assuntos como planejamento financeiro, ciclo da água, coleta seletiva ou impactos do homem no meio ambiente podem ser trabalhados de forma complementar ao aprendizado em sala de aula por meio do ambiente virtual da Edukatu. Para tanto, foi criada uma seção especial para que o professor crie seu projeto de aula, de curso ou atividade extra. Trata-se do seção intitulada “Circuito”, um espaço de navegação guiada, onde os alunos aprendem sobre os temas selecionados pelo professor por meio de quizzes, vídeos e jogos educativos, sempre dentro da lógica de fases e de desafios a serem cumpridos até o fim do percurso do circuito montado. Todas as atividades são divididas por nível de ensino ao qual pertencem os estudantes.
“A ideia é não ter um aprendizado unidirecional. Práticas conscientes não podem ser impostas. Por isso, o projeto conta com uma plataforma totalmente interativa”, afirma o diretor-presidente do Akatu, Helio Mattar. E para que a experiência proposta nas atividades montadas pelos professores – sempre a partir das ferramentas disponibilizadas pela plataforma –, a Edukatu ainda possui outros espaços de interlocução. Na aba “Na Mochila”, os participantes podem consultar notícias sobre educação para a sustentabilidade, planos de aulas envolvendo os 4Rs – as práticas de repensar, reduzir, reutilizar e reciclar – e analisar outros projetos que já foram incluídos pela plataforma por outros professores espalhados por todo o Brasil.
http://www.youtube.com/watch?v=16wvKuoP7WQ
E como outros ambientes de aprendizado, a exemplo do popular EdModo, a Edukatu tem no “Rede” um mural eletrônico onde professores e alunos podem fazer contato e compartilhar experiências. Se surgir dúvida, quando requisitado, mediadores do Akatu entrarão na conversa para esclarecer qualquer ponto ou questionamentos sobre a melhor forma de navegação pelo ambiente virtual. É possível também pela página inicial da aba “Rede”, checar o estágio de evolução dos circuitos que o usuário participa. Há ainda um espaço para checar quantas “medalhas” já foram garantidas pelos alunos depois que eles conseguem concluir as atividades propostas pelo professor.
Desenvolvido por meio de um processo colaborativo que envolveu especialistas em educação, em consumo consciente, sustentabilidade e cultura digital, antes do lançamento realizado hoje, a Edukatu teve que passar por uma série de testes. Durante a fase piloto feita no primeiro semestre deste ano, a ferramenta pode ser aperfeiçoada depois que 400 alunos e professores de 16 escolas públicas de todas as regiões do Brasil testaram a ferramenta. A partir do lançamento, a ideia é que mais objetos digitais de aprendizagem, especialmente os jogos, sejam adicionados às atividades que podem ser criadas no ambiente virtual.
* Publicado originalmente no site O Porvir.
Este lindo Planeta Azul, nossa querida GAIA, é possuidora de uma força e beleza tão intensa e abrangente que é impossível não sentirmos UNO com TODOS.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Sustentável para quem?
As consequências para a natureza de toda e qualquer economia que prioriza e faz de tudo para atender aos ditames do mercado que clama cada vez mais por excedentes na produção e no consumo (20% da humanidade consomem cerca de 80% dos recursos), atingindo picos de crescimentos inimagináveis (nos últimos 50 anos a economia aumentou em cinco vezes seu tamanho) é previamente conhecido: irreversível destruição ambiental, desmatamento em larga escala, poluição acentuada, queimadas constantes, escassez ecológica, extinção das espécies, emissão de gases de efeito estufa, entre outros. Quem paga o preço é a natureza; mas quem sofre as consequências somos nós.
O mercado é abastecido em nome desse modelo econômico-produtivo perverso e criminalmente responsável pela degradação ambiental -os mesmos 20% da humanidade mais consumistas produzem 80% da poluição total do planeta– descapitalizando assim a biodiversidade, colocando a vida em sério risco.
Uma hora qualquer –espera-se que não seja tarde demais- alguém irá perceber que as palavras do cacique Seatlle, ditas em 1854 ao governante norte-americano, estavam pontualmente certas: “(…) Depois que a última árvore for abatida, eles vão perceber que não dá para comer dinheiro”.
Nunca é demasiado aludir que não se pode medir crescimento de uma economia quando, por exemplo, se derruba uma árvore, se põe ao chão um Jequitibá de 200 anos, quando se polui um rio ou se contamina uma nascente. Se isso tudo contribui para fazer o PIB subir, e de fato contribui, o nome disso só pode ser insanidade e estupidez econômica.
O certo é que não há economia que prospere e se mantenha ao longo do tempo nas bases dessa patologia que enaltece a destruição em prol de excedentes mercadológicos.
E não é que para atenuar esse discurso da destruição das bases naturais criadora de crescimento econômico falacioso, os economistas modernos, ditos tradicionais, rapidamente criaram a expressão “desenvolvimento sustentável”?
No entanto, não são poucos os que cometem crasso equívoco na vã esperança de que essa palavra mágica (sustentável) seja algo de fato aplicável e benéfico. Em relação a isso, resta indagar: sustentável para quem? Como? Quando? Onde?
Ora, continuando a exploração desenfreada de recursos naturais para o atendimento às solicitações vindas do mercado, como se a razão precípua do viver fosse unicamente frequentar as prateleiras dos supermercados e shopping-centers, não só se torna impossível sustentar esse crescimento como o mesmo é, na verdade, uma bomba-relógio potencialmente destruidora.
Desse modo, essa expressão sustentável é então, por si, falaciosa e de pouco valia. Num projeto de desenvolvimento econômico que se pretende ser sério e equilibrado, pautado pelas linhas mestras da competição, não é factível buscar a condição de sustentável uma vez que essa competição feita pelos mecanismos previamente conhecidos do modo capitalista de produção e consumo, apenas faz produzir mais exclusão à medida que uns poucos ganham e triunfam sobre a derrota de centenas de milhões de pessoas. Que fique bem claro: exclusão é conceito que não combina com a abrangência do termo sustentável.
Ademais, pelo lado da economia tradicional, argumenta-se insistentemente que o desenvolvimento sustentável é exequível, pois, um belo dia, a natureza irá responder pelas demandas dos recursos renováveis. Aqueles que defendem esse argumento se esquecem de que o universo é finito e não aumentará de tamanho.
A escala de valores que deve predominar então, caso queiramos priorizar a vida e o respeito às coisas da natureza, deve incluir a cooperação, a partilha, a solidariedade, a comunhão, o compartilhamento, o respeito aos limites da natureza e, antes e acima de qualquer outra coisa, às pessoas.
Definitivamente, o projeto econômico precisa estar à serviço da vida em todas suas dimensões, incluindo, principalmente, a perspectiva ecológica, incorporando assim, por exemplo, à ideia da economia verde, definida pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (PNUMA) como “uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente riscos ambientais e escassez ecológica”.
Urge condenarmos o modelo capitalista espoliador aí posto, visto que esse é criminalmente responsável pelos danos ora vivenciados. Já passou da hora de vivenciarmos um novo modelo de economia que seja capaz de incorporar à dimensão ambiental e valorizar definitivamente a perspectiva social. A vida tem pressa e o relógio do tempo passa rápido demais. Não nos esqueçamos disso!
* Marcus Eduardo de Oliveira é economista, professor e especialista em Política Internacional pela Universidad de La Habana – Cuba.
** Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
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