Mostrando postagens com marcador mudanças climáticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mudanças climáticas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Tecnologias evitarão emissões de poluentes?

mais uma preciosidade de Washington Novaes*

Por onde vamos caminhar? Cientistas que se têm dedicado à área do clima não se cansam de advertir que é preciso mudar radicalmente, e com urgência, nossos modos de consumir energia (e emitir poluentes). Os mais céticos, entretanto, lembram que o país mais empenhado nessa direção, a Alemanha, não tem conseguido mudar o quadro – pois, embora esteja fechando usinas movidas pela queima de carvão e estimule formatos alternativos de energia, ainda assim o consumo desse combustível fóssil bateu o recorde de duas décadas em 2013. Na China – país que mais investe hoje em energias renoveis – também o consumo de carvão continua a bater recordes. O Painel do Clima discutiu esse assunto na última reunião, em Berlim.

Por isso cresce também o número dos que acreditam que os caminhos para reduzir emissões estejam em novas tecnologias, que permitam continuar a usar as fontes poluentes, mas impedindo ao mesmo tempo que os gases cheguem à atmosfera. Como há quem acredite que novas tecnologias permitirão reduzir o fluxo de rios e evitar grandes inundações, desviando para afluentes os resíduos que assoreiam os cursos d’água ou criando lagos artificiais às margens.

Os adeptos de novas tecnologias começam a entusiasmar-se. Como, por exemplo, os que propõem e já estão testando tecnologias para usar energia excedente de usinas eólicas ou solares, que custaria muito caro estocar em baterias, estocando-a em blocos de lama gelados nos períodos em que as usinas estejam paradas por falta de ventos ou de sol. Outro caminho é o de empresas que vão usar baterias de lítio para abastecer carros elétricos – uma tecnologia que já foi testada com êxito em carros elétricos esportivos, mas não nos veículos comuns (New Scientist, 8/3). Outra empresa ainda trabalha com a tecnologia de estocar energia num tipo de vidro quase líquido, viscoso, produzido especialmente para isso – e que pode ser bombeado para onde for necessário. O projeto piloto será numa fábrica de alumínio.

Quase 150 anos depois do livro Vinte Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne, desenvolvem-se ainda projetos para converter a energia térmica do mar em formatos utilizáveis e que substituam os atuais poluentes. Segundo a New Scientist, é um caminho em desenvolvimento numa das grandes empresas do setor, a Lockheed Martin, que afirma poder prover até 4 mil vezes a energia consumida em um ano no mundo. Basicamente, trata-se de bombear água de temperaturas mais profundas e mais frias para camadas a 100 metros da superfície, mais quentes. E através de um sistema que usa amônia, o vapor trazido de maior profundidade, com temperaturas 20 graus inferiores, aciona uma turbina que gera eletricidade.

O sistema poderia operar durante as 24 horas do dia. Seria adequado para regiões tropicais e subtropicais. Uma usina de 100 MW custaria US$ 790 milhões para implantar. E a energia produzida custaria US$ 0,18 por quilowatt/hora (hoje as usinas a carvão têm custo de US$ 0,14 e as solares, de US$ 0,14 a US$ 0,26). Já há projetos em Okinawa (Japão), no Havaí, na Holanda e em Curaçau (Caribe). Em parte deles a energia solar é usada para aquecer a água mais profunda. Mas têm sido criticado por cientistas conceituados, segundo os quais se corre o risco de proliferação de algas com sua transposição para áreas mais ricas em nutrientes e livres de bactérias. Já os donos da tecnologia asseguram que não; e que a tecnologia pode gerar 50% da energia consumida no mundo, sem contribuir para o aumento da temperatura planetária.

No Canadá vai entrar em atividade um projeto que captura o dióxido de carbono de uma usina movida a carvão, a maior do país, antes que ele se dissipe na atmosfera: 90% de 1,1 milhão de toneladas será levado por encanamentos para um aquífero salino, de modo a ser sepultado quilômetros abaixo do solo. É um caminho que também já mereceu críticas fortes de cientistas, para quem o sepultamento da poluição pode contaminar aquíferos e provocar abalos sísmicos. Mas para outros é esperança de continuar utilizando o carvão.

Por isso mesmo, continua de pé ainda a tecnologia de sequestrar gases da queima do carvão e utilizá-los na geração de energia – e isso seria suficiente para atender às necessidades de várias gerações à frente. Um dos caminhos seria a gaseificação subterrânea do carvão, a 300 metros da superfície, como se faz na Rússia desde a era de Stalin. Bombas especiais conduziriam os gases para a profundidade, onde seriam queimados, e outras trariam o produto para a superfície, onde seria utilizado como combustível, depurado da poeira do carvão, resfriado, comprimido e levado por tubulações para os locais de consumo. O relato na New Scientist (15/1) é do respeitado articulista Fred Pearce, segundo quem esse processo, se chegar à escala desejada, poderá permitir a utilização de “trilhões de toneladas de carvão”, hoje condenadas por causa das emissões. E por isso já há testes também na China, na África do Sul e no Canadá, que têm grandes estoques de carvão.

Na mesma direção de evitar emissões estão as experiências com veículos elétricos – como as que permitem utilizar baterias sem fio, que recarregam de energia o veículo quando ele estaciona para receber passageiro. Nas baterias utilizadas até aqui é preciso encontrar um posto de reabastecimento e ali permanecer durante horas, com o veículo conectado por cabo à fonte de energia. A nova tecnologia foi desenvolvida há décadas, mas a baixa eficiência não permitia sua utilização em escala maior. Agora, baseia-se em indução eletromagnética, com as próprias baterias do veículo, que transfere a energia com 90% de eficiência. E justamente por essa razão já está chegando a vários países.

Serão as tecnologias que tornam viáveis fontes condenadas capazes de substituí-las a tempo de evitar o agravamento dos problemas do clima?

* Washington Novaes é jornalista,  Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Lições de um verão escaldante

Por André Trigueiro* , 10/2/2014 - 11h15

Represa Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira, em Jacareí (SP), que está mais de 8 metros abaixo do seu nível de vazão devido à falta de chuvas. 
Foto: Nilton Cardin/Sigmapress/Estadão Conteúdo

Este verão ainda nem acabou, mas já marcou seu lugar na História. Não apenas por ser dos mais quentes, mas por revelar o quanto ainda precisamos fazer para lidar melhor com os chamados “eventos extremos”. Vejamos algumas situações:
  1. O verão mais quente dos últimos 71 anos no Brasil e as ondas de frio recorde no hemisfério norte podem ser fenômenos climáticos mais frequentes e intensos daqui para frente. É o que apontam os relatórios recentes do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU). Convém conhecer melhor esses estudos e incorporá-los ao planejamento estratégico dos países.
  2. Segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), das 10 temperaturas mais quentes registradas no mundo no dia 31/12/2013 em todas as 4.232 estações meteorológicas acessadas pelo INPE, 9 aconteceram aqui Brasil : Joinville (SC) apareceu no topo do ranking com sensação térmica de 57ºC. O Rio de Janeiro ficou em segundo com 51ºC. Estamos efetivamente inseridos na geografia dos eventos extremos e essa não é uma boa notícia. Importa fazer chegar essa informação aos tomadores de decisão.
  3. Desde 2009, todos os picos de consumo de energia no Brasil vêm acontecendo na parte da tarde (entre 14h39 e 15h41) e não mais no início da noite. Essa mudança de padrão é atribuída ao uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores para enfrentar o calor no momento mais quente do dia. Como boa parte desses equipamentos desperdiça energia, é preciso exigir dos fabricantes padrões mais elevados de eficiência desses e outros produtos, que precisam ser certificados de acordo com os mais rigorosos protocolos. Não fazer isso significa premiar o desperdício.
  4. Verão de calor intenso combinado com falta de chuva ameaça o abastecimento de água nas cidades e a produção de energia a partir das hidrelétricas. Quando o nível dos reservatórios cai, as companhias de abastecimento oferecem descontos para quem economiza água e organizam racionamentos escalonados. É o que se espera delas. Já no setor elétrico, “economia” e “racionamento” de energia são palavrões. Desde o apagão de 2001, sucessivos governos se esmeram em garantir toda a energia de que a população necessita, sem qualquer orientação em favor do consumo consciente ou da eficiência energética. Fontes do governo me confirmaram que o entendimento prevalente é o de que ações nesse sentido poderiam ser confundidas como sinais de fraqueza de quem não consegue eliminar por completo o risco de apagões e que, por isso, “pede ajuda à população”. Um absurdo completo.
  5. Diversificar a matriz energética é algo importante e urgente. Mas o Brasil ainda derrapa na execução de projetos. É o que o acontece, por exemplo, com a energia do vento. O país já soma 144 parques eólicos prontos, mas 48 deles não estão ainda interligados ao sistema por falta de linhas de transmissão. Seriam 1.265 megawatts a mais, o suficiente para abastecer Salvador durante um mês. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica, 12 destes parques entram em operação este mês e outros 16 em março. Até lá, nos viramos com o que temos. Em relação ao futuro, a própria ANEEL admite que dos 42.750 MW de projetos outorgados de várias fontes (hidrelétricas, térmicas, eólicas) para entrar em operação entre 2014 e 2020, 6.455,1 MW (15% do total) simplesmente não têm previsão para entrar em operação por problemas diversos. Esses projetos que ninguém sabe dizer quando estarão concluídos produziriam energia para quase 26 milhões de pessoas.
  6. Já se foi o tempo em que os reservatórios cheios de água garantiam o consumo de energia do país por até três anos seguidos sem chuvas. Hoje isso não passa de 5 meses. Desde a década de 1990 tem sido mais fácil licenciar e construir hidrelétricas sem barragens, com menos áreas alagadas e impactos ambientais. Entretanto, sem novos reservatórios de grande porte, o Brasil perdeu a capacidade de estocar água da chuva como fazia antes. Ficamos mais vulneráveis e abrimos caminho para as fontes sujas, que são mais caras e poluentes. Neste verão sem chuvas, o ONS autorizou a compra de 11.500 MW de energia das termelétricas, que é quase o que produz uma Itaipu (14.000 MW). Pergunta-se: sujar desse jeito a matriz energética seria a única alternativa que temos para compensar a perda dos reservatórios? Não teríamos outras opções menos impactantes para o bolso e o meio ambiente?
  7. No país campeão mundial de água doce, a hidroeletricidade continua sendo uma vantagem estratégica. Mesmo não sendo mais possível construir usinas com grandes reservatórios por conta dos impactos ambientais, o potencial estimado de produção é de 250 mil megawatts. Hoje exploramos apenas um terço disso (80 mil MW). O horizonte de investimentos aponta para as bacias hidrográficas da Região Amazônica. Um relatório da Coppe/UFRJ financiado pelo Banco Mundial indica que as maiores usinas hidrelétricas em construção hoje no país (Jirau, Santo Antônio e Belo Monte) podem não produzir toda a energia prevista porque foram planejadas levando-se em conta a média das chuvas das últimas décadas. Só que o padrão de chuvas está mudando. Já não está na hora dos tomadores de decisão levarem mais a sério esses estudos que medem a mudança do ciclo das chuvas?
  8. Há quase dois anos o Brasil decidiu acertadamente regulamentar a microgeração de energia, ou seja, deu sinal verde para que qualquer cidadão pudesse produzir energia em pequena escala, desde que de fonte limpa e renovável, interligado à rede de distribuição. No final do mês, a conta de luz traria em valores monetários a diferença entre o que o cidadão gerou para a rede e o que consumiu da rede. Dependendo do que for gerado, é possível obter excelentes descontos ou até não pagar mais a tarifa de luz. A intenção da medida era estimular as pessoas a participarem ativamente da geração de energia reduzindo os custos do governo com grandes usinas e linhas de transmissão. Só que os Estados decidiram cobrar ICMS sobre essa energia gerada a partir do esforço de cada cidadão. Apenas Minas Gerais e Tocantins abriram mão desse imposto abusivo e imoral. Dependendo da distribuidora de energia, cobram-se ainda PIS e COFINS. É assim que se mata uma boa ideia.
  9. Precisamos incorporar ao planejamento urbano o conceito de “cidade resiliente”, ou seja, aquela que se protege de maneira inteligente das mudanças climáticas. É a agenda da “adaptação”. Se as mudanças climáticas já estão ocorrendo, é preciso prevenir tragédias e desastres com investimentos pontuais em setores estratégicos. O desconforto térmico causado por temperaturas elevadas pode ser atenuado com mais áreas verdes, menos “ilhas de calor”, mais áreas disponíveis para o banho seguro com a despoluição de praias/rios e lagoas, permissão para o uso de roupas mais leves em ambientes onde isso normalmente não é possível (repartições públicas, por exemplo) e estímulos a construções sustentáveis (greenbuilding) nais quais se explore ao máximo sistemas de ventilação cruzada, telhados verdes e outras técnicas que atenuam o desconforto térmico.
  10. Eventos extremos como esse merecem respostas rápidas das autoridades. É preciso definir novos protocolos de emergência quando a temperatura subir muito, orientando a população a eventualmente não sair de casa em certos horários ou mesmo dispensando a necessidade de seguir para o trabalho. A sensação térmica de aproximadamente 50ºC levou a Secretaria de Educação de Santa Catarina a adiar o início das aulas nesta semana de fevereiro em vários municípios. Diversos órgãos públicos pelo Brasil já dispensaram o uso de paletó e gravata de seus funcionários. No Rio de Janeiro, servidores municipais foram autorizados a usar bermudas até o joelho. O benefício alcançou também os motoristas de táxi. No caso dos motoristas de ônibus, a liberação depende de cada empresa. No futebol, a parada técnica para hidratação dos jogadores é respeitada em alguns campeonatos estaduais. No Rio, entretanto, isso não é o suficiente para aplacar o desconforto dos jogadores que disputam partidas no estádio de Moça Bonita, em Bangu (um dos lugares mais quentes do Brasil) às 17h, horário de verão. Como se vê, precisamos avançar muito na direção de uma sociedade que responda com inteligência aos chamados eventos extremos.


* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.
** Publicado originalmente no site Mundo Sustentável.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Stephan Schwartzman: Plano de redução de emissões dos EUA pode impulsionar agenda climática global

08/7/2013 - 10h15, por Cassuça Benevides, do IPAM

Steve Schwartzman, como é apresentado no website da ONG Environmental Defense Fund (Fundo de Defesa do Meio Ambiente) – onde é Diretor de Políticas para Florestas Tropicais, está otimista com o Plano de Ação Climática anunciado no final de junho pelo presidente americano Barack Obama. Schwartzman, que também é Vice-Presidente do Conselho Deliberativo do IPAM, acredita que o plano possa injetar ânimo nas negociações da Convenção do Clima na ONU e que quando ficar claro que os cortes nas emissões de carbono não terão impactos tão drásticos para a economia e competitividade americanas vai ser “mais fácil avançar o suficiente para evitar as consequências mais drásticas das mudanças climáticas”.

Clima e Floresta – Com o Plano de Ação Climática, o presidente americano, Barack Obama, tenta trazer de volta a questão das mudanças climáticas para o centro da agenda política. A repercussão entre os especialistas em clima foi muito boa, mas quais as chances reais de sucesso, apesar da resistência da oposição Republicada e do lobby da indústria de carvão, que vai ser a mais afetada pelo plano?

Stephan Schwartzman - O presidente está sendo bastante consistente na sua forma de lidar com a questão das mudanças climáticas. Ele disse no início do primeiro mandato que achava prioritário um regime nacional de controle das emissões de gases causadores do efeito estufa. E que a preferência dele era ter uma legislação nacional tratando da questão. Em 2010 ele conseguiu passar uma lei federal na Câmara, mas não no Senado. Desde então, o presidente vem dizendo que a preferência dele é a lei, mas que se o Congresso não conseguisse passar uma lei, ele iria utilizar autoridades executivas cabíveis para avançar na questão. Isto é que ele está anunciando mais concretamente agora. Não existe dúvida que a Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental – órgão regulador) tem autoridade para controlar as emissões de CO2. Isto já foi levado ao Supremo Tribunal Federal, a decisão existe e não há dúvida de que a EPA tem este direito. A questão é dos detalhes, dos pormenores: Quanto será o limite para as usinas (de carvão) já existentes e para as novas. E agora há o processo dos reguladores acharem as formas legalmente mais robustas e mais facilmente defensáveis para incluir na regulação final. É de se esperar que possa haver contestações no plano jurídico, mas no final das contas, algum sistema de limites nacionais vai ser criado.

C e F – Os Estados Unidos são hoje o segundo maior emissor de gases que provocam o efeito estufa, atrás da China, mas historicamente são os maiores poluidores do planeta. Mesmo que as metas definidas por Obama de reduzir emissões de dióxido de carbono sejam cumpridas, os especialistas acreditam que isto não será suficientes. O que mais precisa mudar?

SC - Nenhum regime de controle das emissões que existem ou que estão surgindo no mundo, na forma como estão sendo propostos, seriam suficientes para conter as emissões abaixo do limite de dois graus centígrados até o final do século. Acho que todo mundo sabe disto, mas o importante é começar. É estabelecer os limites, começar o processo de redução para poder avançar mais lá na frente. Acho que não tem outra forma. Obviamente precisamos de cortes mais drásticos, mais severos. Politicamente a única forma de se fazer isto é estabelecer um sistema, demonstrar para a indústria e para o público que de fato não é aquilo que os setores mais conservadores da indústria vêm dizendo sempre, principalmente em relação às mudanças climáticas, que este tipo de regulamentação vai alijar a nossa economia, vai destruir a nossa capacidade competitiva no comercio internacional etc. E isto nunca acaba sendo tão drástico como eles dizem. E uma vez constatado isto, acho que vai ser politicamente muito mais fácil de avançar o suficiente para evitar as consequências mais drásticas das mudanças climáticas.

C e F – Obama falou em liderar pelo exemplo e também em reativar as negociações internacionais. Na sua opinião, as negociações internacionais da Convenção do Clima podem começar a progredir um pouco mais rápido?

SC -Da mesma forma que o anúncio de um limite para emissões de desmatamento do Brasil induziu à declaração da China de que vai começar com programas-piloto de cap and trade* de emissões em várias cidades e províncias. Claramente atitudes destas por parte dos Estados Unidos só podem fortalecer o andamento das negociações.  Mesmo assim, são 196 países e é muito difícil concordar sobre qualquer coisa neste contexto, mas esta posição tende a facilitar o andamento das discussões.

C e F – No discurso em que anunciou o plano, Obama citou parcerias estratégicas com países emergentes, incluindo o Brasil. Como pode ser a evolução desta parceria? O Brasil se queixa de ter reduzido o desmatamento pela metade e não ter tido benefícios com o seu desempenho…

SC - Resta ver o campo que pode haver para colaboração do Brasil com os Estados Unidos nesta área. Historicamente o Brasil tem tido uma posição eu diria, bastante reservada em relação à redução do desmatamento nas negociações de clima. Verdade que o Brasil não conseguiu angariar benefícios significativos com a redução do desmatamento. Mas também, no contexto das negociações de mudanças climáticas não usou o prestígio, a liderança que conquistou com este programa para dinamizar mais o processo. Sempre teve uma posição de não querer discutir mecanismos de mercado para compensação da redução do desmatamento. No contexto Brasil/Estados Unidos vamos esperar para ver as propostas concretas do EPA. De um lado, o EPA não tem autoridade para instituir um sistema de mercado, de cap and trade para emissões no país. Por outro lado, muita gente acha que (o EPA) teria possibilidade de criar certos mecanismos de mercado no sistema de controle de emissões. Sendo assim, talvez haja campo para colaborações maiores além da colaboração existente de biocombustíveis, na área de etanol.

C e F – Talvez fosse possível o Brasil aproveitar e tomar uma posição de liderança junto com os Estados Unidos?

SC - Junto com os EUA e com os outros atores. Há muitos anos a União Européia vem dizendo que se compromete a fazer uma redução de 20% em relação a 1990 até 2020, independente do que os outros países forem fazer. Se houver colaboração e esforços a altura por parte de outros países, a UE assume a meta de 30%.  Por que o Brasil não coloca suas reduções à disposição para ajudar a União Européia a cumprir esta meta? Topa fazer 30% e a gente vende uma porção da redução que fizemos com  o combate ao desmatamento para colaborar? Teria várias posições possíveis de alavancagem deste sucesso do Brasil, mas o Brasil não quis entrar nesta área ainda.

C e F – No discurso do presidente americano ficou clara a preocupação com adaptação às mudanças climáticas que já estão acontecendo. Obama citou o furacão Sandy e falou bastante em investimentos em adaptação. E no Brasil? Como o senhor vê os esforços para adaptação no país?

SC - Talvez eu não tenha conhecimento suficiente para avaliar. O Brasil não está só, mas parece que os investimentos em adaptação para mudanças climáticas estão começando meio devagar. Aqui nos Estados Unidos o furacão Sandy, incêndios descontrolado no oeste do país, a seca, estas coisas estão chamando muita atenção e fica cada vez mais difícil ignorar estes impactos que estão ficando cada vez mais concretos. Agora mesmo morreram 19 bombeiros de uma vez combatendo um incêndio florestal no oeste dos EUA. Foi o maior número de bombeiros a morrer desde 2001, no ataque ao World Trade Center. Este tipo de coisa se multiplica, se prolifera cada vez mais e fica premente tomar uma atitude para se prevenir contra as consequências.

Em Nova York tinha gente que vinha falando há anos que iria acontecer exatamente o que ocorreu com o Sandy. Que iria ter enchentes dentro do metrô, em várias partes da cidade e aconteceu exatamente como previsto pelos cientistas que vinham estudando o assunto. E quando isto acontece fica difícil dizer que a gente não vai fazer nada. A questão é: economicamente vamos ter esta capacidade de investimento para fazer um progresso significativo?

No Brasil, eu acho que falta ainda mapear os efeitos. Na Amazônia se sabe que a perspectiva de savanização é real. Pelo menos existem alguns estudos neste sentido. Mas nas regiões costeiras acho que falta um mapeamento mais sério sobre quais serão os efeitos mais previsíveis para poder já começar a investir nas medidas cabíveis.

Ce F – Os efeitos nocivos para as florestas, que são importantes na regulação e no equilíbrio do clima, também foram citados pelo presidente americano, mas ele não adiantou nada de concreto. O que se espera aí nos Estados Unidos que possa ser feito em relação à proteção florestal?

SC - O tipo de incêndio florestal que começa a acontecer no oeste do pais é muito difícil de controlar. Há uma série de políticas que será preciso rever. Tem certos ecossistemas em que o fogo era parte constante durante milhares de anos e agora recentemente, por causa das políticas que foram adotadas, começou a ser suprimido. O objetivo era  evitar qualquer incêndio florestal, por achar que a floresta era valiosa demais, ou que era perigoso. Hoje em dia, já em certos econssistemas começa-se a reintroduzir o fogo mais controlado, para impedir grandes incêndios. Este tipo de coisa precisa de aprofundamente, de investimento em pesquisa básica para entender o que pode ser feito. Espero que não seja tarde demais, mas precisamos lidar com isto agora.

C e F – O senhor acompanha de perto e há muitos anos, a questão do desmatamento no Brasil. Há alguns anos o senhor e outros ambientalistas vêm insistindo para que sejam criados mecanismos de incentivo à valorização da floresta em pé. A regulamentação do novo Código Florestal, em preparação pelo governo federal, pode trazer algum avanço neste sentido?

SC - A gente entende que o Congresso incluiu uma série de possibilidades de criação de incentivos positivos para a proteção florestal, mas que cabe ao Executivo criar os mecanismos financeiros para que elas sejam concretizadas. Eu acho que depende bastante da vontade política do Poder Executivo. Fala-se criação de mercado de carbono brasileiro, incentivos para a redução do desmatamento e para restauro florestal, que é de fundamental importância. As pistas, os caminhos para se criar os incentivos estão aí no novo Código, são caminhos importantes e cabe à Presidência fazer os investimentos necessários, criar os mecanismos necessários para que estes incentivos efetivamente passem a funcionar. Afinal, o Brasil conseguiu um avanço enorme ao reduzir seu desmatamento a nível nacional em 75% de 2005 a 2012, inteiramente com mecanismos de comando e controle, de fiscalização e criação de novas áreas protegidas. Isto é ótimo, mas todo mundo sabe que só com mecanismo de controle neste contexto é difícil de sustentar ao longo do tempo.  É preciso primeiro, quem sempre defendeu florestas – os indígenas, as populações tradicionais – precisam de melhores oportunidades econômicas. E o produtor que quer fazer direito, merece um incentivo para faze-lo de forma competitiva.

* Introdução de limites máximos para emissões com mecanismos de compensação: os que emitem menos do que o limite, ganham créditos ou cotas que podem ser negociados com quem emite mais do que o permitido. Os emissores acima do limite são obrigados a comprar créditos dos que conseguem reduzir mais suas emissões.
* Publicado originalmente no site IPAM.
 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Clima de incerteza marca Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas

LUIZA | Publicado:4 DE DEZEMBRO DE 2012

 A insegurança em torno dos resultados da 18ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP18) marcou o início da semana definitiva do encontro que ocorre em Doha, capital do Catar, desde o último dia 26. Ontem (3), ministros e autoridades de quase 200 países começaram a chegar à cidade para concluir as negociações, até então travadas por técnicos e especialistas que tentaram estipular os compromissos que cada nação terá de assumir para reduzir os impactos provocados pelo aquecimento global. Segundo observadores que acompanham os debates desde o primeiro dia, o clima de incerteza toma conta dos corredores da conferência. A expectativa inicial em relação à COP18 já era tímida antes mesmo de as nações iniciarem as conversas. 

O maior resultado esperado é a definição de um segundo período de compromissos do Protocolo de Quioto. Para alcançar esse acordo, países desenvolvidos terão que definir metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), que têm que ser alcançadas a partir de janeiro de 2013. Esses compromissos dariam sequência ao atual tratado, que tem validade até 31 de dezembro deste ano. 

“Diferentemente das últimas conferências, que começaram com tarefas bem complicadas, esta não tem uma tarefa tão difícil. Os negociadores só precisam fechar o segundo período de Quioto e começar os trabalhos para depois de 2020 (Plataforma Durban). Mas há certas delegações complicando esse processo”, explicou Fernando Malta, coordenador da Câmara Temática de Clima do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds). 

 Além de buscar soluções para impasses como as emissões excedentes de GEE por países do Leste Europeu que, por conta da recessão econômica, reduziram suas produções e emitiram menos do que poderiam nos anos anteriores, os negociadores terão de buscar consenso sobre o prazo de validade das novas metas. “O problema atual está na indefinição do tempo para ratificação do segundo período. Alguns países não querem definir limites, enquanto os países em desenvolvimento exigem que haja um prazo curto para ratificação”, explicou Malta.

 Para representantes do governo brasileiro, a adoção formal do segundo período de compromisso de Quioto é um dos objetivos fundamentais do encontro em Doha e base essencial para as aspirações do regime internacional de mudanças climáticas. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que já está no Catar, destacou que os negociadores brasileiros vão buscar esse resultado. Mas o Brasil também fará pressão por avanços nos debates sobre a Plataforma Durban.

Conhecida como acordo global, a ação foi acertada por todos os países no ano passado e prevê que tanto as economias desenvolvidas quanto as de países em desenvolvimento tenham compromissos obrigatórios com a redução das emissões a partir de 2020.

 “As delegações estão fechando agora um cronograma de trabalho que começa no início de 2013. As discussões têm se dividido em ações mais práticas e na conceituação. Por ora, o que se tem é que em Bonn [Alemanha], no meio do ano que vem, provavelmente teremos uma série de papers (informes) nacionais sobre como aumentar a ambição do texto para o pós-Quioto”, acrescentou Malta. 

 Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Gases que aquecem o planeta batem recorde de presença na atmosfera

Por luiza


A concentração de gases do efeito estufa – principal acelerador da mudança climática – na atmosfera atingiu novo recorde histórico em 2011, revelou nesta terça-feira a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
A presença de dióxido de carbono e de outros gases de longa duração com a propriedade de reter o calor são a causa do aumento de 30% do efeito de “reforço radiativo”, a partir do qual se explica o aquecimento do planeta.
A principal fonte de carbono em sua forma de dióxido é a queima de combustível fóssil, como petróleo e gás, e o uso da terra (desmatamento de florestas tropicais).
Segundo o último boletim anual da OMM sobre esses gases, apresentado hoje em Genebra, desde a era pré-industrial (1750) foram emitidos para a atmosfera cerca de 375 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, dos quais a metade permanece na atmosfera, enquanto o resto foi absorvido pelos oceanos e pela biosfera (os seres vivos da Terra).
Os milhões de toneladas de carbono na atmosfera “permanecerão nela durante séculos, o que provocará um maior aquecimento de nosso planeta e incidirá em todos os aspectos da vida na Terra”, advertiu ao apresentar o boletim o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.
“Mesmo que parássemos as emissões amanhã, o que sabemos que não é possível, teríamos estes gases na atmosfera por milhares de anos”, acrescentou, para em seguida assinalar que não só sua concentração aumenta, mas o ritmo com que acontece se acelera cada vez mais, de maneira exponencial.
Pior ainda, os cientistas não podem assegurar que o planeta vá continuar tendo a capacidade de absorver as quantidades de carbono e outros gases que também contribuem para a mudança climática, como aconteceu até agora.
“Já observamos que os oceanos estão ficando mais ácidos como consequência da absorção de dióxido de carbono, o que pode repercutir na cadeia alimentar submarina e nos recifes de coral”, disse Jarraud.
Nesse sentido, admitiu que a ciência ainda não tem uma plena compreensão das interações entre esses gases, a biosfera terrestre e os oceanos.
O dióxido de carbono é o mais abundante dos gases do efeito estufa de longa duração e sua concentração atual representa 40% mais que na era pré-industrial, mas o metano e o óxido nitroso também representam um papel neste fenômeno.
O primeiro gás foi responsável por 85% do “reforço radiativo” nos últimos dez anos, o metano contribuiu em 18% e o óxido nitroso em aproximadamente 6%.
Cerca de 60% do metano – cuja presença atingiu um máximo sem precedentes com 159% mais que em meados de século XVI – provém dos cultivos de arroz, da exploração de combustíveis fósseis, lixões e combustão de biomassa, assim como de ruminantes, enquanto o resto provém de fontes naturais (pântanos e cupins).
Entre as fontes do óxido nitroso também está a combustão de biomassa, assim como o uso de adubos e processos industriais, e sua presença na atmosfera representa hoje 20% mais em relação ao nível pré-industrial.

Fonte: Agência EFE.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

We accept it almost without question—prognostications about the future which begin with the phrae: “if present trends continue…” Extrapolating present trends into the future has become a stock technique for both those on the political left (e.g. “if present trends continue, the gap between rich and poor will continue to widen”) and on the right (e.g. if present trends continue, GDP will double again within the decade”). Consider the following trend: China consumed more energy in the past ten years than it did in its entire history, spanning thousands of years. The vast majority of this energy was in the form of fossil fuels. If this trend in energy consumption continues, then by 2020, China would consume virtually all of the oil currently produced for export in the world today. And, by 2030, China’s oil consumption would exceed today’s total global production of petroleum. What is the likelihood that this trend continues? Even if we set aside the obvious implications of this trend for climate change and assume that the world embarks on the all-out development of unconventional oil reserves (in the form of shale oil and tight oil), to compensate for the now declining world production of conventional oil, it is not clear that production could be ramped up at a sufficient pace to meet this exponentially rising demand. It is important to note that similar projections of current trends into the future are commonplace in virtually every domain, including the production of food, consumption of water, and emission of greenhouse gases into the atmosphere. The reality, however, is this: it is highly unlikely that any of the current trends in the world can or will continue into the future for very long. Nor should we expect them to. History is filled with game-changing discoveries and events that fundamentally alter the trajectory of society and civilization. Consider for a moment how future projections for energy and food production appeared in the 1890s, just prior to the explosive growth of the oil industry, automobile industry, and the rise of mechanized agriculture. No one could have anticipated how radically the world would change in a relatively short period of time. So expect a very bumpy and exciting ride over the next decade or two. Nothing will stay the same. We are approaching a time of unprecedented turbulence, change…and opportunity. Schumpetarian creative destruction will reign supreme. Many incumbents will fall, and entirely new industries will be born. An age of entrepreneurship on a scale that we cannot yet imagine is about to be unleased. There is only one trend that we can really count on: Present trends will not continue. fonte:

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Climate, Conflict and Capital: Critical Issues for the MDGs and Beyond 2015, by Erik Solheim

As 2015 approaches we need to take stock of how we have delivered on the MDGs. This article argues critical issues for accelerating progress on the MDGs and thinking beyond 2015, on climate, conflict and capital. Each is discussed in turn as to why it matters and what needs to be done.

 1. Introduction
No doubt there are some great results to the promises to reduce poverty and to increase access to health and education. Not as good as we had hoped, but still great. However, the substantial decrease in global poverty in the last 20 years as well as much of the progress we have made towards reaching the Millennium Development Goals (MDGs) since 2000, have mainly taken place in Asia. China is by far the largest contributor, but also countries like South Korea, Vietnam and India have had their share. This is largely due to national economic and social development and international trade – not aid.
Still, global aid is largely very successful and aid has played a major role in notable Indicators related to child mortality and education, especially in Africa, but also in other regions.
The bad news is that this promising trend of positive development does not seem to be continuing. In 2009, the number of people living in hunger increased. The rise in the global food prices and the financial crisis have both had devastating effects on the world’s poor. In only one year, they have shown us that the great results achieved in the fight against poverty, be it by trade or aid, are very fragile indeed.
A failure in international efforts to combat climate change could threaten the lives of millions. The majority of today’s children who do not attend school or do not have access to health facilities live in areas where there are violent conflicts. And as the financial system is becoming more global, up to ten times as much money disappears out of developing countries as illicit capital flow as development aid coming in.
 These are three main reasons why we will not reach the MDGs as planned. After 2015, we must broaden our approach, so that we do not only focus on the MDGs, but on why we do not reach them. The complexity of that answer is huge, but in the end, these three remain: climate, conflict and capital.

2. Climate
Climate change reduces human security as a result of drought, flooding, storms, disease and food and water shortages. In addition, the political and institutional capacity to deal with these impacts is weakened. Climate change affects everyone, but the least guilty will be the worst affected: poor people in poor countries.
 The fights against poverty and climate change must go hand-in-hand, or we will lose them both. China is increasing its energy supplies by more in two weeks than all of the 47 sub-Saharan countries (with the exception of South Africa) do in a year. A sharp rise in consumption of fossil fuels is, of course, not compatible with limiting climate change. The only way forward is to facilitate a path of development based on new technology. However, in general, clean forms of too difficult in comparison with energy from biomass, coal and kerosene. Many poor and middle-income countries find it simpler, quicker and to some extent cheaper to concentrate on oil- and coal-based power supplies rather than on  energy efficiency or renewable energy sources such as hydropower or solar and wind power.
Furthermore, emissions from deforestation and forest degradation in developing countries account for about 20 per cent of global greenhouse gas emissions. Conservation of natural forests is thus a cost-effective way of addressing CO preserving forests cannot be carried by the poor countries alone. Large-scale international transfers of capital will be needed as compensation for reducing deforestation. For example, Norway has pledged US$2 billion to the climate and forest initiative.
Mitigation and adaptation measures must be incorporated into development policy. The costs involved in dealing with the problem of climate change will be formidable. There are major challenges involved in mobilising the resources that will be needed to stabilize the climate system. This is not only a matter of willingness and ability. It will also require political and economic creativity and innovation. Ultimately, success or failure will depend on national leadership and effective collaboration between national and international development actors.
Norway has put forward a proposal for a system that could release large-scale funding for adaptation in poor, vulnerable countries. Briefly, the proposal is that a certain proportion of the total quantity of emission allowances should be auctioned internationally. The revenues should be used among other things to fund adaptation measures in the most vulnerable countries and regions. These revenues would vary depending on the size of the emissions trading market and the proportion of the allowances auctioned. But this model could provide a predictable and significant flow of income.
 

3. Conflict
War and armed conflict continue to be among the most serious challenges for development policy. Armed conflict impedes development. Poverty in itself is not a cause of conflict, but poor countries have twice as high a risk of being affected by armed conflict as other countries. Meeting the MDGs is particularly hard in conflict areas. Even if there are funds available for health and schooling, the risk may be great for the buildings to be destroyed through war actions, as we saw in Gaza last year. No parent will send their children to school if there are mines buried along the road.
The absolute majority of the 75 million children out of school live in war-torn areas. In fragile states, ending the armed conflict and peace-building must be priority number one. At the same time, development in the terms of increased income and welfare is a prerequisite for the peace to last.
The pattern of conflict today is different to that a few decades ago. Today, more than nine out of ten armed conflicts are civil wars between groups struggling for secession and independence or fighting for national power and resources. An increasingly large proportion of the world’s conflicts are in countries with petroleum resources. Instability and war have repercussions far beyond the geographical centres of the conflicts themselves. Conflicts have consequences for the whole region. Insurgents cross national borders to acquire weapons and ammunition, and to win support in neighbouring countries.
Diamonds, tropical timber, oil and other commodities, as  well as illegal drugs, are sources of income that can fuel continued conflict. These goods find a way out of the war-torn country via neighbouring countries. People forced to flee their homes in civil wars tend to seek refuge in other parts of their country or in neighbouring countries in the region. Conflict can also have more far-reaching, international consequences. The protection of refugees is an international responsibility. Other visible consequences are increased international crime and terrorism. Conflicts in countries such as Afghanistan, Iraq and Somalia have consequences for peaceful European countries. The recognition of these repercussions means that issues that previously belonged to separate spheres of foreign, security and development policy now must be treated as interlinked.
Security is a precondition for political, social and economic development, which is in turn a precondition for lasting peace and stability. Security is a precondition for political, social and economic development, which is in turn a precondition for lasting peace and stability.

4. Capital
Aid is an important source of funding for development. Aid is unique in that it is a source of funding that both donors and recipients have control over, and can thus be administered strategically. It must be used tactically as a development policy tool to mobilise other resources, and to influence national and local development processes.
However, other capital flows – trade, remittances and foreign direct investment (FDI) – have a much larger impact on economic growth and development than aid. The crucially negative impact on income and growth comes from illicit capital flight from developing countries – amounting to more than US$750 billion a year. This distribution of capital flows has changed greatly over the past few years. We tend to believe that aid is still the major source of income for the poorer countries. It is true that aid has more than doubled since 1985, but remittances have quadrupled and foreign investments increased ten times!  How this will look in the future, we do not know.
The financial crisis, which in a short period of time has resulted in dramatic changes in the  economic outlook for both poor and rich countries, demonstrates just how closely interwoven national and global economic structures have become. The volume of aid, remittances and investments are being challenged. Only the illicit financial flows will no doubt continue to increase.
 Illicit financial flows are cross-border financial transactions linked to illegal activities. The proceeds of organised crime such as trafficking in drugs, weapons and human beings account for a substantial proportion of illicit financial flows. Large sums of money also disappear through various types of fraud, corruption, bribery, smuggling and money laundering. However, the largest share of illicit financial flows is related to commercial transactions, often within multinational companies, for the purpose of tax evasion. These flows are possible mainly because of the tax havens. The fight against poverty is also the fight against tax havens. Tax havens make economic crime more profitable.
Most developing countries lack the resources, expertise and capacity to build up and develop an efficient bureaucracy. The quality of the tax collection system is less well developed than in rich nations. The probability that economic crime will be discovered by the authorities is lower.
More importantly, tax havens damage institutional quality and growth. Potentially the most serious consequences of tax havens are that they can contribute not only to preserving poor institutions but also to weakening them. Tax havens encourage corruption. The lack of effective enforcement organisations means that politicians prone to corruption can, to a greater extent, exploit the opportunities which tax havens offer for concealing proceeds from
economic crime and rent-seeking. This has led to a wish to weaken the institutions. The financial crisis has provided a unique impetus for the fight against tax havens.
 There is an urgent need to strengthen international rules to prevent assets that are illegally appropriated from developing countries from being concealed or laundered in tax havens.
We need more knowledge and competence in this field. A broad coalition for politicians, researchers and development activists must prepare for the fight against these incredibly strong economic forces.

 5. Conclusion
We have come a long way to meet the MDGs, yet not as far as we had hoped. Lack of keeping the aid promises may have contributed to this fact, but it is not the only reason.
The world has changed dramatically since the turn of the century, when the goals were set. The climate panel made us realise how important climate change is for development, and how interlinked the fights against poverty and climate change are.
September 11th 2001 increased our focus on global peace and stability. Afghanistan shows us clearly that there will be no peace without development, and no development without peace. The rise of China (the main source of foreign investment in Africa) as well as other emerging economies has changed the picture of financial flows. Aid is no longer the only important source. And with increased globalisation much is gained, but harmful economic forces also thrive, leading to unbelievably high illicit capital flows from the poor countries.
In five years we shall decide on where to go from the MDGs. The MDGs will always be the important Indicators of development. But the means is no longer aid alone. It is aid combined with a huge global effort to effectively deal with the most critical factors to development: conflict climate, and capital.
 Reference: MFA, Norway (2009) Climate, Conflict and Capital: Norwegian Development Policy Adapting to Change.Report No. 13 (2008–2009) to the Storting, Oslo: Ministry of Foreign Affairs, www.regjeringen.no/pages/2171591/PDFS/ STM200820090013000EN_PDFS.pdf - (accessed October 2009) source: Published by Blackwell Publishing Ltd, 9600 Garsington Road, Oxford OX4 2DQ, UK and 350 Main Street, Malden, MA 02148, USA - Volume 41 Number 1 January 2010 © 2010

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

“As emissões poluentes não só continuam crescendo como aceleraram”

Os acordos celebrados na conferência do clima em Durban, na África do Sul, são o maior avanço desde a assinatura do Protocolo de Kyoto, em 2007. Mas não vão resolver o problema do aquecimento global. Eles nem sequer vão impedir que as emissões poluentes continuem crescendo. É o que explica o engenheiro florestal Tasso Azevedo. Ele é consultor do Ministério do Meio Ambiente. Foi um dos responsáveis pelo plano brasileiro de redução nas emissões, que sustenta as metas apresentadas pelo país em Durban. Em entrevista a Época, Tasso explica como vê os resultados das negociações do clima.
ÉPOCA – Os acordos de Durban são um avanço?
Tasso Azevedo – Sim. São o maior avanço nas negociações de clima desde o Protocolo de Kyoto em 2007. Pela primeira desde então, todos os maiores emissores concordam em se comprometer com um instrumento com força legal para redução de emissões. Adicionalmente se consolidou a continuidade de Kyoto. Ele é mais importante pelos regulações que criou do que pelos novos compromissos. Durban também deu pontapé inicial para operar o Fundo Verde (para ajudar nações pobres a reduzir emissões e enfrentar as mudanças climáticas inevitáveis) agora com estrutura clara e recurso mínimo.
ÉPOCA – Os acordos são base para redução de emissões até 2020?
Tasso – Não. E este é o problema central. As emissões atualmente não apenas continuam crescendo como aceleraram. Considerando todos os compromissos obrigatórios e voluntários de todos os países apresentados até o momento as emissões em 2020 devem chegar a 55 bilhões de toneladas de carbono por ano. É um aumento de 10 bilhões comparando com as emissões de 2005. Para que tenhamos 25% de chance de não subir a temperatura em mais de 2 graus centígrados – que é o objetivo definido no Acordo de Copenhagen – não devemos emitir mais de 1,8 trilhões de toneladas em todo século, ou seja uma média de 18 bilhões por ano. Acontece que com todos compromissos chegaremos em 2020 tendo emitido mais da metade de tudo que poderíamos emitir em todo século. Por isso, estamos longe, muito longe da trajetória necessária, que nos leve a reduzir as emissões a menos de 10 bilhões de toneladas por ano até 2050.
ÉPOCA – Como evitar um aumento de catastrófico 3 a 4 graus na temperatura média da Terra?
Tasso – Ainda não podemos jogar a toalha. Mas devemos pensar em encarar cenários de impactos gerados por uma aumento desta magnitude. E ao mesmo tempo temos que colocar toda energia para que o acordo global com metas para todos seja completado o mais rápido possível. Um anuncio que passou quase desapercebido durante a conferência do clima dá uma dica de por onde devemos caminhar. A Etiópia, um dos países mais pobres do mundo, anunciou que pretende crescer e se tornar uma economia média se comprometendo com crescimento absoluto zero das suas emissões e conclamou o mundo a ajudá-la a conseguir este intento.
(Alexandre Mansur)

fonte: http://colunas.revistaepoca.globo.com/planeta/2011/12/13/%e2%80%9cas-emissoes-poluentes-nao-so-continuam-crescendo-como-aceleraram%e2%80%9d/

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Painting a mountain to save a glacier

By Karl Burkart, Mother Nature Network, Posted Fri Jun 25, 2010 10:46am PDT
 
 
 
Photo via Planet 100
One of the great climate tragedies of 2009 was the disappearance of Chalcataya, one of Peru's most important glaciers. Then a huge chunk of Hualcan, another mountain glacier in Peru, broke up causing a lakeside tsunami.
 
So it's not surprising that Peru would be leading the charge in the fight to save the word's remaining tropical glaciers. Peruvian inventor Eduardo Gold was one of 26 winners of the World Bank-sponsored contest "100 Ideas to Save the Planet." The idea is simple but monumental at the same time — paint the mountain white. Check out this photo and video of the crew in action.  
 
It sounds a bit crazy, but Gold's concept was selected out of 1,700 entries to receive a $200,000 grant. Work has already begun in preparation for the rainy season, which he hopes will rebuild the Chalon Sombrero glacier.
 
In case you are wondering, the paint is nontoxic. It is made from a combination of egg whites, lime, and water and it works by increasing the reflectivity of the mountain, preventing the normally dark rocks from absorbing the sun's heat. The goal is to create a microclimate that will help the glaciers rebuild by giving them a cold surface to adhere to.
 
Whitewashing may just turn out to be one of the most important stop-gap strategies for lessening the impacts of climate change. The Akomplice launch last week is an effort to reduce our nation's demand for air conditioning, again by painting roofs and buildings white. Now the ingenious solution will be applied to the mountains of South America.
 
Peru is home to 70 percent of the world's tropical glaciers, and global warming has hit them hard — nearly one-fourth of Peru's glaciers have melted in the last 30 years, threatening the continued livelihood of millions of Peruvians who depend on them for fresh water. 
 
via: BBC

http://green.yahoo.com/blog/guest_bloggers/51/painting-a-mountain-to-save-a-glacier.html

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

UNESCO helps small islands educate for climate change


©UNESCO/GMR Akash

Climate change
 represents a real threat to Small Island Developing States. A UNESCO expert meeting (21-23 September
, Nassau, The Bahamas) will address the
 vital role of education in helping populations from the Caribbean, Pacific and Indian Oceans adapt to this challenge.

Adaptation to climate change requires that individuals understand why
 and how the climate is changing, and the implications of these changes 
for their lives. This three-day meeting will focus on the essential role of education in increasing the 
adaptation capacity of communities and nations in regard to climate
 change by enabling individuals to make informed decisions.




Some 100 participants primarily 
from Small Island Developing States are expected at the meeting, 
representing a multi-disciplinary and diverse group of stakeholders like curriculum
 developers, representatives of national school and education networks, multilateral agencies and civil society. These will join scientists and climate change experts to develop a roadmap to
 guide and promote education as an important means of enhancing 
adaptation to climate change in the context of sustainable development.




The roadmap and its recommendations will serve as a contribution to the
 upcoming 17th Conference of the Parties to the United Nations Framework 
Convention on Climate Change in December 2011 and the UN Conference on Sustainable Development (Rio+20 Conference) in
 June 2012.
These events will set the stage for the remainder of the UN Decade of 
Education for Sustainable Development (2005-2012) which is led globally by UNESCO. 

www.unesco.org

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

ONU pede ações concretas para as mudanças climáticas

09/9/2011 - 09h17
por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil

Ban Ki-moon afirma que o aquecimento global já está afetando a vida de milhões de pessoas e que os governos devem acelerar seus esforços para que a próxima Conferência do Clima, em novembro, seja concluída com sucesso.
169 ONU pede ações concretas para as mudanças climáticas
O arquipélago de Kiribati corre o risco de desaparecer devido ao aumento dos níveis do oceano.

“Os fatos são claros. As emissões de gases do efeito estufa continuam a aumentar. Milhões de pessoas estão sofrendo neste momento os impactos disto. As mudanças climáticas são muito reais”, afirmou enfático o secretário-geral das Nações Unidas.
Ban Ki-moon está visitando a Oceania com o objetivo de presenciar os problemas que as pequenas nações insulares do Pacifico estão enfrentando e também para dar apoio às medidas propostas pelo governo australiano de uma taxa de carbono para setores industriais que são grandes poluentes.
“Eu sei que existem céticos, pessoas que afirmam que as mudanças climáticas não existem. Sugiro que qualquer um que ainda pense assim visite Kiribati e converse com seus habitantes. Se todos vissem como eles estão preocupados com o constante aumento do nível do mar e o quanto o oceano realmente avançou, não haveria mais dúvidas”, declarou o secretário-geral.
“Migrantes ambientais já começaram a transformar a geografia humana do planeta. Esse movimento só vai aumentar daqui para a frente se não fizermos nada para deter as emissões”, acrescentou.
O que Ban ki-moon e a ONU esperam é que os países assumam compromissos maiores na próxima Conferência do Clima (COP17), que começa em novembro na cidade sul-africana de Durban.
O encontro, que deve contar com a presença de representantes das 193 nações membros da ONU, está cercado de dúvidas e obstáculos.
O maior deles é com certeza o futuro do Protocolo de Quioto, que vai expirar no fim de 2012. Os países emergentes que formam o BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) vão lutar conjuntamente pela extensão do tratado. Já nações industrializadas lideradas pelo Estados Unidos não desejam mais nem discutir Quioto. A União Europeia promete propor um meio termo, um Protocolo modificado que possa garantir metas para “todos os grandes emissores”.
Para Ban Ki-moon, as perspectivas para a COP 17 não são tao ruins como analistas sugerem.
“Muitos países estão dando os primeiros passos para lidar com as mudanças climáticas. A China anunciou que vai reduzir sua intensidade de carbono em 45% e vem disputando com os EUA a liderança da corrida pelo desenvolvimento das energias renováveis. A Índia também promete aumentar os investimentos  nas fontes limpas em até 350%”, afirmou.
O secretário-geral destacou também os planos australianos de criar uma taxa de carbono. O governo da primeira-ministra Júlia Gillard está passando grandes dificuldades para convencer a opinião pública da necessidade de aprovar as medidas de limitar as emissões.
Segundo a proposta, os 500 maiores emissores australianos terão que pagar um imposto de A$23 (R$ 38,55) por cada tonelada de carbono emitida, sendo que esse valor aumentará em 2,5% ao ano até 2015, quando deverá ser estabelecido um mercado propriamente dito. O esquema cobrirá 60% das emissões australianas se forem desconsideradas as provenientes da agricultura e de veículos leves.
A meta da taxa é reduzir as emissões em 5% até 2020 com relação aos níveis de 2000, o que significa um corte de 160 milhões de toneladas.
“Essas ações são essenciais por si só, mas elas podem também inspirar progressos em uma escala global. Meu conselho para vocês é que sejam corajosos, ambiciosos e pensem grande”, declarou Ban Ki-moon durante uma palestra na Universidade de Sidney.
O apoio da ONU pode ser fundamental para que o congresso australiano aprove as medidas.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)

domingo, 5 de junho de 2011

Dia do Meio Ambiente.... o que estamos realizando

Grandes cidades na liderança de ações em mudança climática

 por Sérgio Abranches, do Ecopolítica

Reunidos em São Paulo para discutir mudança climática, vida urbana e qualidade de vida os prefeitos das principais cidades do mundo.
132 300x188 Grandes cidades na liderança de ações em mudança climáticaVárias das cidades representadas no C40 estão na vanguarda na redução de emissões de gases estufa. Nova York está mudando sua frota de táxis para veículos híbridos e elétricos. Está implantando ciclovias e devolvendo espaço ocupado por automóveis à população. Portland está virando paradigma de “cidade do clima”. Em várias dessas cidades há movimentos por “telhados verdes” e “telhados brancos”. Na Europa muitas já adotaram o “pedágio urbano” para desestimular o tráfego de carros no centro da cidade e estimular o uso de transporte coletivo. Veículos leves sobre trilhos, bondes modernos (tramways), metrôs estão sendo implantados para permitir a transição do transporte individual para o coletivo com qualidade. Como modelos de transição, há o recurso do BRT (Bus rapid transit), particularmente em cidades de países em desenvolvimento: Bogotá, Cidade do México, Curitiba.
A experiência das últimas COPs, em Copenhague e Cancún, e a expectativa de pouco ou nenhum avanço em Durban, na COP17, indicam que qualquer acordo global vinculante dependerá da adoção de políticas domésticas. Uma vez adotadas, essas políticas podem ser consolidadas em um acordo global, avaliadas e incrementadas. Se esse caminho “de cima para baixo” é o mais viável, as cidades e, particularmente, as grandes metrópoles, têm um papel decisivo.
Primeiro, porque muitas estão na vanguarda das ações relativas à mudança climática, tanto em termos de mitigação (redução de emissões), quando de adaptação (preparação para enfrentar eventos climáticos extremos mais frequentes, elevação do nível do mar, etc…).
Segundo, porque só essas reunidas em São Paulo representam perto de 20% das emissões de gases estufa. Emissões derivadas principalmente do setor de transportes urbanos (particularmente carros particulares e ônibus a diesel) e consumo corporativo e residencial de eletricidade.
Terceiro, por uma razão política. Essas cidades têm força e influência, formam opinião no que se refere à gestão urbana e podem demonstrar a eficácia das políticas que adotam, estimulando sua adoção nacionalmente. Elas pode, em particular, mostrar que o caminho para uma sociedade de baixo carbono não envolve perdas líquidas. Ao contrário permite elevação do bem-estar, da qualidade de vida e dos ganhos econômicos.
O Brasil tem pouco a mostrar em ações efetivas e em lideranças ativas no campo da mudança climática e da sustentabilidade. Ao contrário, essa reunião acontece em um momento de grande retrocesso na área ambiental no país: aprovação de mudanças no Código Florestal; política energética atrasada no campo das energias eólica e solar; licença para as obras de Belo Monte, no momento em que o projeto é abandonado pelo investidores recusa em avaliar a sério os riscos das usinas nucleares; protecionismo que impede a venda aqui de carros elétricos.
Na política, nada temos de parecido com o neo-republicano Bloomberg, que governa Nova Iorque e preside a C40, ou com o ex-presidente democrata Bill Clinton. Só Marina Silva se destaca como liderança comparável aos líderes de outros países presentes em São Paulo. Mas ficou confinada a um partido pequeno, que resiste à modernização democrática por ela proposta. Os grandes partidos do PT ao PSDB, do PMDB ao DEM, são todos atrasados na questão climática e ambiental.
* Para ouvir o comnetário do autor na rádio CBN clique aqui.
** Publicado originalmente no site Ecopolítica.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Clima - ceticismo perde mais espaço

As informações são a cada dia mais contundentes, o ceticismo perde espaço. É preciso avançar rapidamente com políticas públicas. Só que nos faltam instrumentos eficazes Ficou muito mais difícil para os chamados “céticos das mudanças climáticas” continuarem a negar que elas têm se intensificado em conseqüência do aumento da temperatura na Terra, com forte contribuição das ações humanas para o processo. Um Comitê de Revisão dos Procedimentos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, órgão científico da Convenção do Clima da ONU), liderado pelo InterAcademy Council (o IAC, que reúne sociedades acadêmicas de vários países), concluiu que o processo dirigido pelo IPCC precisa aperfeiçoar seus procedimentos, como acentuou editorial do jornal O Estado de S. Paulo (5/9). Mas que, no todo, “serviu bem à sociedade”:
“O engajamento de muitos milhares dos mais destacados cientistas e outros pesquisadores no mundo no processo e na comunicação sobre a compreensão das mudanças climáticas, seus impactos e a possível estratégia de adaptação e mitigação, é uma conquista considerável em si mesma” – diz o parecer do IAC. “Da mesma forma, o compromissos dos governos para o processo e sua aceitação dos resultados é uma indicação clara do êxito. Através de uma parceria maior entre cientistas e governos, o IPCC ampliou a consciência do público sobre mudanças climáticas, elevou o nível do debate científico e influenciou a agenda científica de muitas nações.”
O IAC critica alguns pontos da atuação do IPCC, principalmente a conclusão precipitada de que as geleiras do Himalaia se derreteriam até 2035. E entende que o painel precisa modernizar sua estrutura, trabalhar mais a complexidade de certos fenômenos, ter “mais transparência em seus procedimentos”, instituir um comitê executivo, limitar a um mandato os poderes dos seus executivos. De modo geral, entretanto, reconhece o valor dos quatro relatórios do IPCC.
Os “céticos” enfrentam também, no mesmo momento, uma mudança radical de postura de Bjorn Lamborg, autor do livro “O ambientalista cético”, que tanto furor causou há poucos anos. Surpreendentemente, ele declara agora que vai começar a enfrentar o problema das mudanças climáticas – em lugar de negá-las. Junto com oito economistas, ele passa a liderar um movimento que sugere forte investimento em energia alternativas, principalmente solar, eólica e de marés.
Embora achem que lobbistas de empresas investidoras nessas energias “exageraram as mudanças climáticas”, esses analistas sugerem agora um investimento de US$100 bilhões nesse campo. Coincidência ou não, nesses mesmos dias o jornal britânico Sunday Telegraph publicou um pedido de desculpas ao presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, a quem acusara de ter “conflitos de interesse”, receber pagamentos de empresas interessadas na área de energias. Após auditoria da KGPM nas contas pessoais de Pachauri, o jornal afirmou que “não há nenhuma evidência de benefícios pessoais com as funções de consultor”.
Na direção contrária à dos “céticos”, o Instituto de Meio Ambiente da Suécia e o cientista Sivan Kartha publicaram trabalho de análise das intenções manifestadas na Convenção do Clima, em Copenhague, pelos países emissores. Segundo o parecer, se se concretizarem apenas as ações propostas ali pelos países emissores, até o fim do século a temperatura planetária se elevará em 3,5 graus Celsius, com “efeitos desastrosos para a produção agrícola, a disponibilidade de água e os ecossistemas em geral”, além de elevação do nível do mar e possível desaparecimento de ilhas no Pacífico (O Globo, 31/8). Esse relatório foi reforçado por outro, da Administração Nacional dos Oceanos e Atmosfera, dos Estados Unidos, segundo quem sete dos 10 indicadores de aquecimento global “estão em ascensão”.
Nada disso, entretanto, significa que se terá nestes próximos tempos mudança importante nos rumos dessa grave questão. As lógicas financeiras, que influenciam países e empresas, continuam a comandar o processo. De 4 a 9 de outubro, em Tianjin, na China, acontecerá mais uma reunião preparatória da assembléia geral da Convenção do Clima, prevista para novembro, em Cancun, no México. Mas não se espera que aconteça em Tianjin nenhum milagre. Nem mesmo em Cancun. O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tem reiterado que não se prevê nenhum acordo importante para Cancun – no máximo, a definição de um “roteiro” para a discussão seguinte, na África do Sul, em 2011. Talvez se defina – na linha do relatório do IAC – que não seja renovado em outubro o mandato de Rajendra Pachauri, que pretendia ficar mais quatro anos no posto.
O governo brasileiro, que não contesta os relatórios do IPCC, anunciou na semana passada que já tem R$200 milhões para combater efeitos de mudanças climáticas, com projetos de pesquisas e ações específicas, que serão prioritárias no Semi-Árido nordestino. Ali, como mostrou a recente Conferência sobre Desertificação, os problemas não cessam de avançar, com a contribuição do clima.
É importante, mas é pouco. Os eventos extremos entre nós têm-se intensificado – basta lembrar enchentes e desabamentos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, inundações em São Paulo, eventos terríveis no Nordeste, elevação inédita de temperaturas no Centro do país – com nível inacreditável de queimadas -, notícias de avanço do nível do mar e destruição de ocupações no litoral.
As informações são a cada dia mais contundentes, o ceticismo perde espaço. É preciso avançar rapidamente com políticas públicas. Só que nos faltam instrumentos eficazes. Ainda no começo desta semana, como lembrou este o jornal O Estado de S. Paulo (5/6), “os remédios para mudanças de microclimas são muito complexos”. E a situação de emergência, de extrema secura do ar na capital no mês de agosto, não pôde ser enfrentada com eficácia, porque “envolve toda a parte de ocupação do solo e também uma política de mobilidade. E São Paulo não tem um Plano B” (6/9). É grave.
*Washington Novaes é jornalista. Este artigo foi originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 10 de setembro de 2010.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...