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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cartilha: Municipio Verde AZUL

Uma cartilha com algumas idéias, é a preocupação de um trabalho pela conservação ambiental, alcançar o bem-estar dos cidadãos.
Os municípios tem como responsabilidade legislar complementarmente sobre as questões ambientais, dese que exista interesse local.
Assim as leis municipais, por lógica, devem ser mais restritivas, mais rigorosas do que a legislação complementada, federal ou estadual.
A restrição a maior expressa a maneira do município identificar seu interesse.

http://cpeaunesp.files.wordpress.com/2010/08/municipio-verde-azul-a-responsabilidade-do-legislativo-local1.pdf

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global

Consideramos que a educação ambiental para uma sustentabilidade eqüitativa é um processo de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida. Tal educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si relação de interdependência e diversidade. Isto requer responsabilidade individual e coletiva em nível local, nacional e planetário.


Data: 26/7/2010 - Fonte: Portal MEC - Autor: MEC

http://www.coepbrasil.org.br/portal/Publico/apresentarArquivo.aspx?ID=3682

terça-feira, 2 de março de 2010

Educação Ambiental em tempos de Mudanças Climáticas

Conheça texto-base que será utilizado para formulação de documento referencia na abordagem da Educação Ambiental em relação às Mudanças Climáticas. Este texto foi produzido no encontro realizado pelo Instituto Ecoar e a WWF Brasil em Brasília na data de 25 de junho de 2009 , encontro que reuniu 25 educadores ambientais, representando todas as regiões do país, para discutir o papel dos educadores ambietais frente ao desafio do Aquecimento Global.

1. Introdução
O aquecimento global, provocado pelo acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, causa profundas mudanças no sistema climático comprometendo e ameaçando a qualidade de vida no Planeta. O enfrentamento desta questão se apresenta como um dos desafios mais importantes que a humanidade já enfrentou.
 O cenário das Mudanças do Clima é complexo, multidisciplinar e abrangente e, de uma forma ou de outra, em maior ou menor escala, suas conseqüências afetarão a todos em todos os lugares.
O cenário climático atual exige a constituição de novas escolhas no estilo de vida de nossa sociedade, mudanças de atitudes individuais e coletivas na relação com o meio natural, rupturas paradigmáticas, mudanças de valores no uso e apropriação dos recursos e fontes energéticas e a experimentação de diferentes encontros-subjetividades no cotidiano.
O WWF-Brasil e o Instituto Ecoar, juntamente com membros de Universidades, das Redes de Educação Ambiental e de organizações não governamentais, entendem que a Educação Ambiental brasileira, em sua missão transformadora, pode desempenhar um papel essencial na promoção de uma profunda reflexão sobre o paradigma vigente.
Pode atuar no estímulo ao engajamento da sociedade, na disponibilização de aporte teórico aos educadores e agentes sociais para que atuem qualificadamente no combate ao aquecimento global, tanto no plano educativo como na implementação de agendas ambientais e projetos práticos (conservação de florestas, redução da pegada ecológica, energia, construções verdes, consumo sustentável, reciclagem, agricultura sustentável), na redução de nosso impacto no meio ambiente e na influência de políticas públicas que contribuam com a construção de sociedades sustentáveis.
Assim, as duas instituições promoveram no dia 25 de junho de 2009, em Brasília, um encontro com educadores e educadoras ambientais das diversas regiões do país com o intuito de contribuir para um grande debate nacional sobre a interface Educação Ambiental /Mudanças Climáticas.
O resultado deste encontro está refletido no documento base, que passamos a apresentar e que está ancorado em princípios e diretrizes do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (1992) e no Eixo Temático IV (Educação e Cidadania Ambiental) do documento aprovado na III Conferência Nacional de Meio Ambiente (2008).

2. A Educação Ambiental perante as mudanças climáticas
Uma relativa inércia da sociedade frente à questão das mudanças climáticas decorre tanto do desconhecimento do fenômeno quanto do afastamento generalizado da vida política.
A não percepção das conexões existentes entre nossas opções cotidianas de locomoção, a emissão de gases de efeito estufa e o conseqüente aumento da temperatura da Terra; entre o desmatamento da Amazônia e da Mata Atlântica e a desertificação em partes do sul do país; a quantidade de resíduos produzidos e o aumento do nível dos oceanos; o assoreamento dos rios, a impermeabilização de solos e as enchentes; o consumo desenfreado e o esgotamento dos recursos naturais demonstram, de forma inequívoca, a necessidade da Educação Ambiental se voltar para este tema de forma critica e transformadora.
A Educação Ambiental pode lançar um novo olhar sobre as Mudanças Climáticas que não seja apenas pautado por alternativas mercadológicas e tecnológicas, mas que aponte para transformações sociais que permitam enfrentar e minimizar as causas da degradação socioambiental, que tem no aquecimento global a sua mais explícita tradução.
À EA cabe aprofundar o debate junto à sociedade e governos sobre o aquecimento da Terra e as mudanças socioambientais globais promovendo questionamentos sobre a manutenção da Vida e os nossos destinos enquanto humanos e humanidade apresentando propostas articuladoras que agreguem conhecimento local às novas tecnologias.
A EA pode ser o campo do conhecimento que explicita a complexidade da crise civilizatória e coloca este paradigma na reconstrução das práticas pedagógicas e sociais, um instrumento que promova uma ampla reflexão sobre a problemática da governança planetária; pode fazer a mediação entre a base da sociedade, os governos e organismos internacionais, apresentando propostas articuladoras que agreguem conhecimento científico, saberes locais e tecnologias de informação e comunicação, e estimulando ainda o acompanhamento das ações de gestores e parlamentares.
É essencial que o educador e a educadora ambiental estejam atentos para a complexidade da crise ambiental cuja compreensão é fundamental para a manutenção da vida no Planeta.
Dessa forma propomos a busca de diferentes caminhos, de elaborar e disseminar informações e processos de construção de conhecimentos, requisitos essenciais ao enfrentamento dos desafios do nosso tempo.
Para tanto, precisamos, com rapidez, “traduzir” nossas leituras sobre os cenários atuais – aquecimento global e mudanças socioambientais globais, visando objetivamente instrumentalizar os sujeitos de todas as localidades, de todos os extratos sociais, de todas as tendências políticas, de todas as religiões e culturas a constituir uma macro-visão sobre o tema, de forma a exercermos nossa cidadania planetária e a justiça social.

3. A capilarização do conhecimento sobre o fenômeno do aquecimento global e suas relações com as práticas e atitudes cotidianas
Diante da compreensão de que as mudanças climáticas são complexas e requerem visões múltiplas acreditamos que é necessário que os educadores e educadoras tenham acesso a materiais educativos de qualidade que tratem das raízes sócio-históricas culturais da questão, sejam voltados às ações locais, tendo o sabor, a cara, a linguagem e a cor local. Simples, apesar de estar embasados em conhecimento científico; complexos, porém de fácil utilização; ofereçam exemplos, experiências e possibilidades de releituras a partir do dia a dia das pessoas e comunidades e contemplem as realidades das comunidades urbana, rural, periurbana e da floresta.
No que tange ao conteúdo, sugerimos que tratem da problemática global, mas estejam em consonância com os problemas locais, regionais, que considerem a história dos grupos, a dimensão individual e coletiva, a conexão local/global, as relações de produção, consumo e descarte dos resíduos do modelo capitalista estabelecendo as conexões com as questões climáticas. Sugere-se ainda que contemplem a relação produção/consumo, norte/sul, justiça social/justiça ambiental, rural/urbano e que sejam perpassados por valores éticos e políticos.

4. A contribuição da EA na formulação de projetos práticos e políticas públicas transformadoras
 Ao longo das ultimas décadas a Educação Ambiental tem promovido no Brasil milhares de projetos e ações locais que na maioria das vezes, são, de per si, mitigadores da emissão de gases de Efeito Estufa, uma vez que estão imbuídos de princípios, critérios e diretrizes ambientais e ecológicas.
No entanto, em uma visualização inicial, podemos identificar que não temos no campo da EA, indicadores e resultados que apontem especificamente para a redução de emissões e tampouco para a adaptação de comunidades vulneráveis aos efeitos do cenário climático que já se apresenta.
O esforço requerido é o de estabelecer os vínculos entre as experiências desenvolvidas, o aquecimento global e suas conseqüências, formulando metodologias para o planejamento e gestão participativos de projetos locais, práticos, mensuráveis e de inspiração transformadora.
Os dados, gráficos e mapas de vulnerabilidade existentes ou em elaboração das diversas regiões do país, disponibilizados pelo IPCC e outras instituições precisam ser apresentados às populações que estão sendo ou serão afetadas pelo fenômeno climático, acompanhados de análises e interpretações, causalidade, reflexão e propostas de ação. Os educadores e educadoras ambientais brasileiros têm habilidade e conhecimento para assumir este papel protagônico.
Como os ciclos da natureza são elementos cruciais na história dos povos tradicionais e na medida em que estes ciclos vêm sendo alterados pelo aquecimento global, gerando insegurança e instabilidade às comunidades, a atuação dos educadores ambientais nesta área precisa ser redimensionada à luz da nova realidade, não descartando o conhecimento tecnológico e a troca e diálogo de saberes. 
A necessidade urgente de mudanças no estilo de vida e nos hábitos de consumo, de revisão do modelo econômico de produção, de transporte e locomoção, das práticas de descarte, dentre outros, exigem ações de grande abrangência. O diálogo e a relação com a mídia podem propiciar conquistas na disseminação de projetos voltados à sustentabilidade e à mudança de paradigma.

5. Conclusão e encaminhamentos
No encontro de Brasília foram estabelecidas 03 linhas de ação prioritárias da Educação Ambiental em relação às Mudanças Climáticas:
  1. Mapeamento de ações, projetos e programas de EA no país e o estabelecimento de conexões entre seus resultados e a mitigação do aquecimento global;
  2. Formação de formadores;
  3. Inserção da EA em documentos, programas, fóruns e negociações que definem as políticas públicas de Mudanças Climáticas nos âmbitos nacional, estadual e municipal, como no eixo 06 do documento Base da Conferencia Nacional de Educação – CONAE.
Este documento será apresentado, para discussão e ampliação, no VI Fórum de Educação Ambiental no Rio de Janeiro e no Congresso Ibero Americano; será circulado nas redes de Educação Ambiental e fará parte do documento crítico do Observatório do Clima sobre o Plano Nacional de Mudanças Climáticas. 

6. Relação dos participantes do encontro de Brasília 
  • Antonio Fernando Guerra – Universidade do Vale do Itajaí, Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental - REASUL
  • Bruno Reis - WWF – Brasil - DF
  • Efraim Neto– Rede de Jornalistas Ambientais - BA
  • Fabio Cascino – Instituto Paulo Freire - IPF - SP
  • Fabio Deboni – Educador - DF
  • Franklin de Paula Junior – Secretaria de Recursos Hídricos - MMA – DF
  • Heitor Medeiros – Universidade Estadual do Mato Grosso e Rede Matogrossense de Educação Ambiental - REMTEA – MT
  • Irineu Tamaio – WWF- Brasil - DF
  • José Luciano Araújo – Instituto Ecoar para a Cidadania – SP
  • Maria Alice Cintra (Lilite) – Grupo Ambientalista da Bahia - Gambá - BA
  • Luiz Ferraro - Universidade Estadual de Feira de Santana – BA
  • Marcos Sorrentino – ESALQ-USP – Piracicaba – SP
  • Maria Inês Gasparetto Higuchi – Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas - INPA - AM
  • Mariana Valente – WWF – Brasil - DF
  • Miriam Duailibi – Instituto Ecoar para a Cidadania – SP
  • Moema Viezzer – Instituto Comunicação Solidária - Comsol - PR
  • Rangel Mohedano – Coordenadoria Geral de Educação Ambiental - MEC – DF
  • Ricardo Burg – MMA - DF
  • Vângela Maria Nascimento – Secretaria Municipal de Meio Ambiente - Prefeitura de Rio Branco - AC

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"O educador ambiental ensina por suas atitudes", por Rita Mendonça

Divulgadora no Brasil de uma nova metodologia de educação ambiental, a bióloga e socióloga Rita Mendonça acredita que o professor deve explorar a natureza com os alunos e compartilhar com eles suas impressões

Para resolver os problemas ambientais, é necessário mais do que separar o lixo para reciclagem ou fechar a torneira enquanto se escova os dentes. Refletir sobre o nosso comportamento e as relações que temos com a natureza e com as pessoas também é parte fundamental desse processo na opinião de Rita Mendonça. Bióloga e socióloga, ela é co-fundadora do Instituto Romã, entidade sediada em São Paulo que representa no Brasil a Sharing Nature Foundation - organização não-governamental americana dedicada à educação ao ar livre. Rita abrasileirou a metodologia de ensino da Sharing, baseada em dinâmicas e jogos seqüenciais. O objetivo é levar os participantes a concentrar a atenção, a aguçar a percepção e a ter um contato mais profundo com a natureza, já que a experiência é essencial para a mudança de comportamento em relação ao mundo. Educadores estão sendo formados pelo Instituto Romã para trabalhar com essa perspectiva em um programa que une teoria e muita prática, em viagens a campo. "O professor já sabe muita coisa sobre o tema, mas precisa experimentar o que ensina", diz Rita. Nesta entrevista concedida a NOVA ESCOLA, ela explica esse novo conceito de educação ambiental.

NOVA ESCOLA: Como nasceu a educação ambiental?
Rita Mendonça: Durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972, a sociedade tomou conhecimento dos problemas ambientais e os governos definiram que a saída para mudar o mundo seria a educação. Foi necessário criar o termo educação ambiental porque nos afastamos da natureza. Os processos educativos ficaram racionais e a escola descuidou dos sentimentos, das sensações e das relações em sala de aula, esquecendo o ar, a água, o corpo, o bairro, a cidade, o planeta. Ora, se a educação ambiental pretende resolver os problemas ambientais pela formação das pessoas, é preciso usar ferramentas transformadoras. Uma delas é o aprendizado seqüencial.

O que é o aprendizado seqüencial em educação ambiental?
É uma pedagogia que desenvolve a percepção de alunos e professores. A proposta consiste em uma seqüência de atividades, em quatro fases, que deve ser aplicada em espaços naturais - na praça, no parque, na praia, na montanha, no mangue e até mesmo no jardim da escola.

Como se dá, na prática, esse aprendizado?
A primeira fase, Despertar Entusiasmo, é formada por jogos que servem para criar interação e harmonia no grupo. Uma das dinâmicas é realizada em uma área com diferentes espécies de árvore. O professor escolhe uma que tenha uma aparência atraente - um salgueiro ou um pinheiro, por exemplo - e imita a forma dela com seu corpo. Observando o professor, as crianças tentam reconhecer qual é a árvore escolhida. A segunda, Concentrar a Atenção, é o foco da metodologia: visa promover a concentração da turma e acalmar a mente. Os exercícios despertam o interesse em ouvir os sons da natureza e perceber diferentes temperaturas e cheiros. A terceira, Experiência Direta, desenvolve a percepção das diferenças entre os elementos da natureza. Em uma das brincadeiras, os alunos, de olhos vendados, sentem uma árvore pela textura, pela forma e pelo cheiro. Depois, de olhos abertos, eles têm que reconhecer, na mata, qual é aquela árvore. Essa interação aguça a intuição e a percepção. Na última fase, Compartilhar, os estudantes dividem suas impressões sobre o que fizeram durante essas aulas contando histórias, fazendo desenhos, poesias coletivas e individuais e haicais.

Como é o trabalho do educador no aprendizado seqüencial?
Ao explorar a natureza com as crianças, ele aplica cinco regras da educação ao ar livre. A primeira é ensinar menos e compartilhar mais. Isso torna qualquer visita mais agradável, porque a criança se cansa de ficar apenas ouvindo. A segunda é ser receptivo, perceber o que os alunos estão pedindo e humanizar as relações. A terceira é se concentrar, porque não dá para fazer nada se a turma não estiver atenta. A quarta regra é experimentar primeiro e falar depois. Nem tudo precisa ser explicado. É importante dar ao professor e às crianças tempo para encantar-se com detalhes que ainda ninguém viu e compartilhar o que todos estão sentindo. Por fim, criar um ambiente leve, alegre e receptivo, onde todos se sintam bem. O trabalho visa fazer alunos e professores perceberem o que estão sentindo, pois o sentimento influencia a maneira de compreender e pensar. É mais fácil discordar de uma idéia se você está irritado. Quando está feliz, tende a ser mais receptivo.

Professores de todas as disciplinas podem ser educadores ambientais?
Sim. O professor de Ciências tem muita informação sobre a natureza e acaba fazendo um trabalho mais explicativo. Mas o fundamental para qualquer professor é educar principalmente pelo que ele é, por suas atitudes, e não apenas pelo conhecimento que tem da matéria. As crianças aprendem muito pela imitação. O bom professor diz aquilo em que de fato acredita. Ele refletiu sobre o conteúdo que leciona e fala do assunto com convicção, fazendo uma confissão por meio da Física, da Matemática, da Língua Portuguesa.

O professor está preparado para ser um educador ambiental?
Especialmente preparado, porque é um educador. Mas, se ele quer se engajar na questão ambiental, deve começar pensando na sua vida, no seu comportamento e na sua relação com o próprio corpo e com a natureza. O contato mais direto que temos com ela é pela alimentação. Então, ele deve analisar a relação entre o que come, o ambiente e o modo como monta seu cardápio, por exemplo. Uma maneira de fazer isso é pensar sobre o ciclo que aquele alimento percorreu, desde sua origem até chegar à mesa. É importante também refletir sobre o que consome e como se relaciona com o mundo à sua volta. O professor pode ainda perceber como se sente na frente de uma vitrine. Tem vontade de comprar? Fica frustrado se não pode? Analisa por que necessita daquilo? Esse exercício dá uma grande bagagem, equivalente à que ele acumularia em vários cursos. É só aprender a usá-la.

Qual o benefício de a escola proporcionar uma vivência na natureza?
Em contato com a natureza percebemos que temos uma existência em comum. Quanto mais unificamos as relações entre nós e o ambiente, mais harmônica é nossa vida. Na nossa proposta pedagógica, o professor não ensina o que é natureza e não a descreve, mas relaciona-se com ela e compartilha com os alunos o que para ele faz sentido nessa experiência. O encantamento dos estudantes pelo tema vem dessa troca com o professor, que motiva a turma a querer aprender. O relacionamento entre eles se torna mais intenso e sincero, as mentes se acalmam e a concentração de todos melhora.

A questão ambiental tem caráter filosófico?
O problema ambiental é resultado de uma crise de percepção. Se queremos resolver essa crise, temos de melhorar nosso entendimento sobre o mundo. Assim, criamos um território fértil para encontrar soluções, e a escola pode ajudar nisso. Durante as aulas, promovemos momentos de diálogo - o que é muito diferente do debate -, em que os estudantes conversam, analisando o que pensam sobre aquele assunto e procurando entender o que está acontecendo em nosso planeta. Esse é um exercício de observação de nossa forma de pensar e das dificuldades de aceitar opiniões diferentes.

Qual é a origem dos problemas ambientais?
Os biólogos chilenos Humberto Maturana e Francisco Valera e a historiadora austríaca Riane Eisler sustentam a idéia de que os problemas ambientais surgiram há 7 mil anos, com o fim das culturas "matrísticas" - o termo vem da palavra matriz e se refere à mulher - e o surgimento das culturas patriarcais. Na cultura matrística, a relação com a natureza e com as pessoas da comunidade e de outros povos era estabelecida por limites e de forma harmônica. Os povos se viam como parte do ambiente e a complexidade estava nas relações e não nas questões materiais. A cultura patriarcal surgiu na Mesopotâmia, quando o homem começou a desejar dominar o meio e outros povos. Hoje, temos o mesmo conflito: aceitar os limites impostos pela natureza sabendo que somos 6 bilhões e que vivemos em um planeta só ou atender ao desejo de ter uma vida confortável e consumir cada vez mais?

Por que a tecnologia e a ciência não conseguiram resolver esses problemas?
Albert Einstein dizia que nós não conseguimos solucionar um problema permanecendo no mesmo nível de consciência em que ele foi criado. Veja o exemplo do lixo: começamos a criar substâncias artificiais que a natureza não reconhece. Daí, desenvolvemos tecnologias de reciclagem que imitam com muita limitação o ciclo da natureza, mas não resolvem a questão. A confiança na tecnologia faz as pessoas consumirem sem compromisso. Hoje, o volume de produção de lixo é desproporcional ao que é possível reciclar. Então, a reciclagem nunca solucionará a questão, porque a indústria vai criar novas substâncias e as pessoas vão consumir cada vez mais achando que tudo pode ser reciclado.

BIBLIOGRAFIA
• À sombra das árvores - transdisciplinaridade e educação ambientela em atividades extraclasse, Rita Mendonça e Zysman Neiman, 167 págs., Ed. Chronos, tel. (11) 3081-8429, 26 reais
• Conservar e criar - natureza, cultura e complexidade, Rita Mendonça, 256 págs, Ed. Senac, tel. (11) 2187-4450, 42 reais





quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Os 10 Mandamentos do Amigo do Planeta


O decálogo do Amigo do Planeta, de autoria do Vilmar Berna, tem por objetivo estimular um maior aprofundamento sobre o sentido de cidadania ambiental que deve reger o nosso cotidiano e o passo a passo para a formação de um Clube dos Amigos do Planeta na Escola, bem como sugestões de ações práticas a serem realizadas pelos alunos.

1 - Só Jogue Lixo no Lugar Certo
É horrível quando a gente vê alguém jogando lixo no chão. As ruas, praças e qualquer logradouro público não são terra de ninguém, mas pertencem a todos. Você não jogaria lixo na casa de alguém, jogaria? Pois é, a rua pertence a todos, tem muitos donos. O lixo espalhado, além de atrair ratos, moscas, mosquitos, cria um aspecto horrível de poluição em sua cidade. E, depois, custa muito dinheiro de impostos para limpar, dinheiro que podia estar sendo usado para outras obras. Um Amigo do Planeta só joga seu lixo nos locais apropriados, ou guarda no bolso e traz para colocar na lixeira da própria casa.

2 - Poupe Água e Energia
A água que você usa não sai da parede. Ela vem de algum rio ou manancial. Os rios estão sendo agredidos pela poluição e pelo desmatamento, o que torna a água potável cada vez menos disponível, o que eleva o custo de seu tratamento. Quanto à energia, existe a elétrica ou então vem de fontes como gás, petróleo, lenha e carvão. Elas vão escassear cada vez mais e algumas não são renováveis, como o petróleo, por exemplo.

3 - Não Desperdice
Evite consumir além do necessário. Adquira o indispensável em alimentos, objetos, roupas, brinquedos etc. As lojas e supermercados estão cheios de inutilidades que só fazem gastar mais e mais recursos naturais na fabricação. Reflita antes de comprar. Rejeite produtos descartáveis, como copos, garrafas etc. Além de poluírem e aumentarem o volume de lixo, também apressam o esgotamento dos recursos naturais. Reutilize as sacolas de compra. Prefira alimentos naturais, evitando enlatados, empacotados, refrigerantes, os alimentos industrializados, além de mais caros, podem causar alergias e outros males e, às vezes, nem têm grandes funções nutritivas.

4 - Proteja os Animais e as Plantas
Cada animal ou planta é um ser vivo como você e tem tanto direito à vida, à liberdade e ao bem estar quanto nós. Embora você não perceba, sua vida está interligada com a de todos os outros seres. É essa interligação que forma a `teia da vida' que garante a sobrevivência de todos. Por ter perdido esta noção, nossa espécie vem causando tanto prejuízo e poluição à natureza, com conseqüências cada vez mais graves para a nossa qualidade de vida. Os seres humanos são os únicos com capacidade de modificar em profundidade seu meio ambiente. Nós temos usado essa capacidade para piorar as coisas. Agora precisamos fazer o contrário, para nossa própria sobrevivência.

5 - Proteja as Árvores
Para fabricar papel é preciso cortar árvores, logo, poupar papel é uma forma de defender as árvores. Utilize os dois lados da folha de papel. Leve sua sacola de compras ao supermercado. Faça coleta seletiva em sua casa. Recicle o papel, fabricando novo papel a partir do papel usado. A outra forma de ajudar é defendendo as árvores existentes e plantando novas árvores. Adote uma árvore. Cuide dela com carinho e respeito.

6 - Evite Poluir Seu Meio Ambiente
Use o menos possível o automóvel, programando suas saídas. Ele provoca poluição do ar. Acostume-se a ouvir música sem aumentar muito o volume do som. Som alto provoca poluição sonora. Enfim, reveja seu dia-a-dia e tome as atitudes ecológicas que julgar mais corretas e adequadas para você. Não espere que alguém venha fazer isso por você. Faça você mesmo.

7 - Faça Coleta Seletiva do Lixo
É fácil separar o lixo seco (inorgânico: papel, plástico, metal, vidro) do lixo molhado (orgânico: restos de comida, cascas de frutas etc.). Você estará contribuindo para poupar os recursos naturais, aumentar a vida útil dos depósitos públicos de lixo, diminuir a poluição. É só ter duas vasilhas diferentes a lado da pia da cozinha e um lugar para depositar o lixo seco até alcançar um volume que permita sua venda ou doação - e boa vontade.

8 - Só Use Biodegradáveis
Existem certos produtos de limpeza que não se degradam na natureza, como sabões, detergentes etc. Procure certificar-se, ao comprar estes produtos, de que são biodegradáveis. Evite o uso de venenos e inseticidas. Uma casa limpa é suficiente para afastar insetos e ratos. Os inseticidas são altamente nocivos para o meio ambiente e para a saúde das pessoas.

9 - Conheça Mais a Natureza
Estude e leia mais sobre a natureza, mesmo que não seja tarefa da escola. Tenha em casa livros, revistas que falem sobre a natureza. Faça um álbum de recortes com figuras de animais e plantas. Procure no dicionário palavras como saúde do trabalhador, reciclagem, reaproveitamento, habitat, biodegradáveis etc. Quanto mais você souber, melhor poderá agir em defesa da natureza.

10 - Participe Dessa Luta
Não adianta você ficar só estudando e conhecendo mais sobre a natureza. É preciso combinar estudo e reflexão com ação. Você pode agir sozinho, procurando políticos ou a imprensa, por exemplo, para denunciar ou protestar contra os abusos, poluições, depredações. Também pode agir em grupo. Quando estamos unidos, somos mais fortes e capazes de encontrar soluções para enfrentar os problemas ambientais.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Livro - Um Olhar Político da Educação Ambiental - Vilmar Berna

Um Olhar Político da Educação Ambiental, de Vilmar Berna
Opiniões sobre o livro:

- Por Michèle Sato*
"Como fazer Educação Ambiental" é um livro que está longe de poder ser criticado por "receitas" pontuais e ativismo inconseqüente. Representa uma reflexão de diversas práticas possíveis em nossas vidas. É um presente de Vilmar Berna aos que sempre buscaram vencer a lacuna entre a prática e a teoria. Mais do que isso, é um reflexo da trajetória de seus passos, na longa luta ética do seu movimento ambientalista no cenário latino-americano.

Com uma linguagem acessível e de compreensão clara, Vilmar nos mostra que os caminhos da Educação Ambiental são alternativas possíveis para a construção de um Brasil mais ecologicamente viável e com menos desigualdades sociais. Sua luta espelha-se na participação crítica, na vontade de transformar uma realidade oprimida, e de, atrevidamente, tentar libertar o sujeito aprendiz. Entre exemplos e reflexões, retrata o Brasil dentro de um marco político possível, trazendo novas Leis e recomendações internacionais. Neste contexto, permitimo-nos a acrescentar os valores globais da Carta da Terra, princípios éticos que tentam alertar para outros direitos da multiplicidade da vida, ampliando a defesa além dos seres humanos.

Sua contribuição no espaço escolarizado é pertinente e adequado. Observamos uma imensa lacuna em materiais pedagógicos que possam oferecer dimensões práticas e teóricas ao quotidiano da escola. Não é preciso remeter ao velho debate da imposição ideológica dos livros didáticos. Marcadamente político, proposital ou não, este instrumento educacional ainda revela ser um dos grandes colaboradores do fracasso escolar, num triste cenário educacional brasileiro. Estudos têm revelado e sugerido, cada vez mais, a produção de materiais próprios, em consonância com a realidade e ao contexto de cada local. A Educação Ambiental (EA), neste cenário do livro didático, mesmo com estrelas conferidas, aparece ligada à área de ciências ou geografia, com um tímido - ou quase nenhum - espaço a outras disciplinas. Assistimos, recentemente, um pacote autoritário apresentando a transversalidade, como se a interdisciplinaridade fosse possível através de decretos governamentais. Além disso, o tema transversal sugerido é "meio ambiente", ao invés de consolidar a prática educativa necessária à "educação ambiental".

"Como fazer Educação Ambiental" não intenciona ser outro pacote fechado, pelo contrário, incita o poder de criticidade, na busca constante da construção dos conhecimentos com incentivo da utilização de outras fontes que possam consolidar o trabalho em EA. Em seus exemplos concretos, viabiliza novas formas de ultrapassagem e oferece roteiros infinitos que podem (e devem) ser adequados às realidades locais. Fornece elementos teóricos para a reflexão de que a escola não é uma ilha isolada do sistema social, e que todos podem ser protagonistas da sua própria liberdade de participação crítica. Uma escola insere-se num ambiente. Que ambiente é este? O livro nos convida a analisar nossas representações, inserido em processos de uma formação para a ação pedagógica concreta, com integração de diversos saberes, do desenvolvimento de competências e um aprendizado coletivo para a realização de projetos. A escola torna-se, assim, uma comunidade de aprendizagem que valoriza a formação de equipes em processos éticos de solidariedade, respeito e cooperação.

O ambiente é também uma realidade compartilhada e vivida por diversas pessoas fora do espaço escolar, em um contexto cultural próprio. Assim, a abordagem para a resolução de problemas locais, com a aliança entre os diversos protagonistas, também é ricamente analisada e sugerida. A presença histórica dos movimentos sociais e das lutas ambientalistas abre novas perspectivas para que a EA não se limite ao processo educacional estrito senso, permitindo que atinja cada pessoa enquanto potencial agente de manifestação ecológica. Além disso, desafia a arrogância intelectual e oferece uma abertura para diálogos entre os diversos saberes.

Da abordagem social à natural, passando pelos elementos transformados pelas sociedades e incluindo a ética pessoal, o ambiente encontra-se intrinsecamente conectado às múltiplas manifestações da vida. Todo universo simbólico contribui para um despertar de identidade, enraizado pela trajetória humana que vislumbrou a civilização, mas que também testemunhou barbáries.

"Como fazer Educação Ambiental" não revela que é fácil "fazer" EA. Pelo contrário, suas reflexões teóricas nos mostram que a emancipação da sociedade brasileira ainda esbarra em fortes aparatos políticos conservadores. Assim, mais do que puro conhecimento, o livro nos convida a expressar nossas emoções e pensamentos, manifestando a necessidade de mudanças. Assume que a educação ambiental não pode ser neutra e que as informações veiculadas podem auxiliar nossa formação, através da leitura crítica do mundo.

Em síntese, Vilmar Berna nos dá um "toque" necessário à EA. Mistura paixão com ciência, possibilita que o conhecimento busque a poesia, que a natureza nunca esteja separada da cultura e que sejamos todos capazes de cantar uma melodia que possa superar nossas dificuldades individuais e coletivas, na realização de nossas utopias. Finalmente, tenho muito que agradecer pela prazerosa leitura, além do "toque" quase mágico oferecido, possibilitando que mais brasileiros e brasileiras possam apaixonar-se, cada vez mais, pela Educação Ambiental.

* Professora e pesquisadora em Educação Ambiental do Instituto de Educação da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso) e do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFSCar ( michele@cpd.ufmt.br e http://go.to/eamt )

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Como Fazer Educação Ambiental - Por Godofredo Pinto*
Ponto de Partida Para o Trabalho Pedagógico
Como qualquer outro cidadão, não consigo fugir a minha própria história. A reação que brota de dentro frente a qualquer fato novo, surge incontida diante do vivido até aqui. Hoje, o novo que me cai nas mãos é este magnífico trabalho do companheiro Vilmar Berna. E a ótica sob a qual o recebo é a do professor de Escola Pública, pois é basicamente, pelos caminhos da defesa de um ensino gratuito de qualidade para todos que tenho trilhado a minha história de vida.
lhando em torno o que posso perceber é quanto temos sido acusados, muitos de nós, professores, de atuarmos no abstrato, sem levar à geração de estudantes com a qual convivemos, o saber-instrumental necessário para a construção da cidadania. Enquanto a vida segue com suas contradições, carências, desigualdades, o chamado conteúdo programático se restringe ao espaço de sala de aula, deixando escapar para muitos, talvez a única oportunidade de superar a visão fragmentada do mundo, pela incorporação de uma nova concepção orgânica das relações entre os homens e destes com a natureza.

O livro do Vilmar vem falar justamente da possibilidade de uma outra forma de lidar com o conhecimento no âmbito escolar.
Se a questão ecológica é o real vivido tão dramaticamente entre nós, este será um excelente ponto de partida para o trabalho pedagógico.
Por isto, se para toda e qualquer liderança em sua ação educativa cotidiana, este é um livro relevante e elucidativo, para nós, professores, sua leitura há que ser estimulada a mais não poder, pois que a Educação Ambiental é dos eixos privilegiados em torno do qual deve girar nossa prática.

* Professor, Ex-Presidente do Sindicato Estadual de Profissionais da Educação e Vice-Prefeito da Cidade de Niterói/RJ.

Índice do Livro Como Fazer Educação Ambiental – Vilmar Berna

o Educação Ambiental e Cidadania
o Educação Ambiental e Cultura
o Ecologizar a Empresa

o EDUCAÇÃO AMBIENTAL FORMAL
- Princípios Básicos
- Conteúdo Programático

o Técnicas de Educação Ambiental , Ricardo Harduim
- a) Corrida Ecológica
- b) Quebra-Cabeça Ecológico
- c) Jogo do Slide
- d) Presente da Natureza
- e) Feira Verde

o Três Técnicas de Educação Ambiental (Cetesb)
- a) Estudo do Meio
- b) Estudo de Caso
- c) Memória Viva

o Carta aos Professores
o Como Organizar um Passeio à Floresta
o Como Fazer um Projeto de Educação Ambiental
o Duas Idéias Para Projetos
o Educação Ambiental na Empresa
o Como Utilizar o Jornal em Sala de Aula

o TEXTOS AUXILIARES
- Tudo está relacionado entre si
- Agenda 21
- Tratado de Educação Ambiental
- Cuidando do Planeta Terra
- Princípios Gerais da Carta da Terra
- Meio Ambiente na Constituição Federal
- Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999 - Dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental

o MODELOS DE PROJETOS
- Lixo - O Exemplo Começa na Escola
- Campanha Adote Uma Árvore
- Amigo da Natureza
- Clube dos amigos do Planeta

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Respeito a todo ser, à Mãe Terra, por Loenardo Boff

Respeito a todo ser, à Mãe Terra


Se reconhecermos, como os povos originários e muitos cientistas modernos, que a Terra é Gaia, Mãe generosa, geradora de toda vida, então devemos a ela o mesmo respeito e veneração que devotamos às nossas mães. Em grande parte, a crise ecológica mundial deriva da sistemática falta de respeito para com a natureza e a Terra.
O respeito implica reconhecer que cada ser vale por si mesmo, porque simplesmente existe e, ao existir, expressa algo do Ser e daquela Fonte originária de energia e de virtualidades da qual todos provém e para a qual todos retornam (vácuo quântico). Numa perspectiva religiosa, cada ser expressa o próprio Criador.
Ao captarmos os seres como valor intrínseco, surge em nós o sentimento de cuidado e de responsabilidade para com eles a fim de que possam continuar a ser a a coevoluir.
As culturas originárias atestam a veneração face à majestade do universo, o respeito pela natureza e para cada um de seus representantes.
O budismo que não se apresenta como uma fé mas como uma sabedoria, um caminho de vida em harmonia com o Todo, ensina a ter um profundo respeito, especialmente, por aquele que sofre (compaixão). Desenvolveu o Feng Shuy que é a arte de harmonizar a casa e a si mesmo com todos os elementos da natureza e com o Tao.
O Cristianismo conhece a figura exemplar de São Francisco de Assis (1181-1226). Seu mais antigo biógrafo, Tomás de Celano (1229) testemunha que andava com respeito por sobre as pedras em atenção daquele, Cristo, que foi chamado de “pedra”; recolhia com carinho as lesmas para não serem pisadas; no inverno, dava água doce às abelhas para não morrerem de frio e de fome.
Aqui temos a ver com um outro modo de habitar o mundo, junto com as coisas convivendo com elas e não sobre as coisas dominando-as.
Extremamente atual é a figura do humanista Albert Schweitzer (1875-1965). Elaborou grandiosa ética do respeito a todo o ser e à vida em todas as suas formas. Era um grande exegeta e famoso concertista das músicas de Bach. Num momento de sua vida, largou tudo, estudou medicina e foi servir hansenianos em Lambarene no Gabão.
Diz explicitamente, numa carta, que “o que precisamos não é enviar para lá missionários que queiram converter os africanos, mas pessoas que se disponham a fazer para os pobres o que deve ser feito, caso o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuam algum valor. Se o Cristianismo não realizar isso, perdeu seu sentido”.
Em seu hospital no interior da floresta tropical, em Lambarene, entre um atendimento e outro, escreveu vários livros sobre a ética do respeito, sendo o principal este: O respeito diante da vida (Ehrfurcht vor dem Leben).
Bem diz ele:”a idéia-chave do bem consiste em conservar a vida, desenvolvê-la e elevá-la ao seu máximo valor; o mal consiste em destruir a vida, prejudicá-la e impedi-la de se desenvolver. Este é o princípio necessário, universal e absoluto da ética”.
Para ele, o limite das éticas vigentes consiste em se concentrarem apenas nos comportamentos humanos e esquecerem as outras formas de vida. Numa palavra: “a ética é a responsabilidade ilimitada por tudo que existe e vive”
Dai se derivam comportamentos de grande compaixão e cuidado. Numa prédica conclamava: “Mantenha teus olhos abertos para não perder a ocasião de ser um salvador. Não passe ao largo, inconsciente, do pequeno inseto que se debate na água e que corre risco de se afogar. Tome um pauzinho e retire-o da água, enxugue-lhe as asinhas e experimente a maravilha de ter salvo uma vida e a felicidade de ter agido a cargo e em nome do Todo-poderoso. A minhoca que se perdeu na estrada dura e seca e que não pode fazer o seu buraco, retire-a e coloque-a no meio da grama. ‘O que fizerdes a um desses mais pequenos foi a mim que o fizestes’. Esta palavra de Jesus não vale apenas para nós humanos mas também para as mais pequenas das criaturas”.
Essa ética do respeito é categórica no momento atual em que a Mãe Terra se encontra sob perigoso estresse.

Leonardo Boff é autor de Convivência, Respeito, Tolerância, Vozes 2006.

dicas de livros

Ecologia ambiental


Esta primeira vertente se preocupa com o meio ambiente, para que não sofra excessiva desfiguração, com qualidade de vida e com a preservação das espécies em extinção. Ela vê a natureza fora do ser humano e da sociedade. Procura tecnologias novas, menos poluentes, privilegiando soluções técnicas. Ela é importante porque procura corrigir os excessos da voracidade do projeto industrialista mundial, que implica sempre custos ecológicos altos.
Se não cuidarmos do planeta como um todo, podemos submetê-lo a graves riscos de destruição de partes da biosfera e, no seu termo, inviabilizar a própria vida no planeta.

Bibliografia mínima de orientação

- Berry, T. O sonho da Terra, Vozes, Petrópolis 1991

- Boff, L., Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres, Atica, S.Paulo 1995.

- Capra. F.,O ponto de mutação, Cultrix, S.Paulo 1991.

- Dajoz, R.,Ecologia gerl, Vozes, Petrópolis 1983.

- Lovelock,J.,Gaia, um novo olhar sobre a vida na Terra, Edições 70, Lisboa 1987.

- Varios, Cuidando do planeta Terra. Uma estratégia para o futuro da vida, publicação conjunta de UICN/ PNUMA/WWR, S.Paulo 1991.

- Wilson, E., O futuro da vida, Campus, Rio de Janeiro 2001

dicas de livros

Hans Küng, O princípio de todas as coisas. Ciências naturais e religião, Petrópolis, Vozes 2007, pp. 288.
O livro abre uma discussão franca entre a nova visão do universo elaborada pela nova cosmologia e a visão bíblico-cristã sobre o começo e o fim de todas as coisas.

John F. Haught, Deus após Darwin. Uma teologia evolucionista, José Olypmpio Editora, Rio 2002, 262 pp.
Trata-se de um dialogo profundo com a tradição darwinista em dialogo com a teologia cristã, feita por um teólogo católico leigo de grande profundidade.

Francis S. Collins, A linguagem de Deus. Um cientista apresenta evidências de que Ele existe., Editora Gente, São Paulo 2007, 279 pp.
O autor é o diretor do projeto Genoma Humano. Começou como ateu e na medida que avançava a pesquisa sobre o genoma humano se dava conta que a interpretação teista é mais sensata que a interpretação atéia, tipo Dawkins.

Joanna Macy e Molly Young Brown, Nossa vida como Gaia. Praticas para reconectar nossas vidas e nosso mundo, Editora Gaia, São Paulo 2004, 255 pp.
Uma excelente introdução pratica ao novo paradigma ecológico com forte caráter espiritual e com exercícios práticos para sentir a Terra como Gai e Grande Mãe.

James Lovelock, A vingança de Gaia. Editora Intrínseca, Rio de Janeiro 2006, 160 pp.
Trata-se do formulador da teoria Gaia, a Terra como um super-organismo vivo. Aborda as conseqüências catastróficass que virão sobre o planeta e sobre a humanidade se não assumirmos sabedoria e cuidado em nossa relação para com a natureza e o sistema da vida.

Evaristo Eduardo de Miranda, Quando o Amazonas corria para o Pacífico. Uma história desconhecida da Amazônia, Editora Vozes, Petrópolis 2007, 254 pp.
É um dos estudos mais completos sobre a Amazônia mostrando que ela era pervadida por culturas indígenas, verdadeiros impérios e que sabiam manejar ecologicamente a natureza e como hoje nos servem de inspiração.

Mike Davis, Planeta Favela, Editora Boitempo, São Paulo 2006, 270 pp.
É um dos estudos mais completos sobre o fenômeno da favelização do mundo que abarca quase metade da humanidade. O autor prevê não uma guerra de civilizações mas um conflito entre o mundo urbanizado e o mundo favelizado. A NASA já se prepara para uma eventual guerra.

Ramonet, Ignácio, Guerras do século XXI. Novos temores e novas ameaças, Editora Vozes, Petrópolis 2003, 192 pp.
O autor, editor do Le Monde Diplomatique, estuda os novos cenários mundiais, os pontos de fratura entre os povos que estão provocando tensões e guerras com incidências sobre a situação ecológica da Terra.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dicas de Livros

  1. Práticas de Educação Ambiental, Estevão Keglevich e Ivonete Parreira, editora Deescubra - 2004;
  2. 40 Contribuições pessoais para a sustentabilidade, Geraldo Freire dias, editora Gaia - 2005;
  3. Alfabetização Ecológica, Fritjof Capra e outros, Editora cultrix - 2006

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Reflexos das Cores Amazônicas no Mosaico da Educação Ambiental

O WWF-Brasil apresenta nesta publicação uma análise das 198 experiências coletadas através do projeto "Levantamento Diagnostico de Experiências em Educação Ambiental na Região Amazônica", realizado em parceria com instituições de seis estados amazônicos (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima). Ela foi organizada para tornar publicas estas atividades, dando visibilidade às múltiplas concepções e abordagens metodológicas dos projetos de educação ambiental realizados no maior bioma brasileiro.


livro disponível em pdf
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/educacao/educacao_pub/?3100

Cadernos de Educação Ambiental Água para Vida - Água para Todos

O primeiro dos dois volumes da publicação, o Livro das Águas, traz um conjunto de textos sobre a situação das águas no pais e visa estimular a pesquisa, a vontade de conhecer e de participar no seu cuidado e gestão.

O segundo, o Guia de Atividades, sugere uma série de ações e práticas para sensibilizar, estimular a construção de conhecimentos, despertar a criatividade ao lidar com questões ambientais e chamar pessoas e grupos à ação pelo meio ambiente. Sugerimos que o Guia de Atividades ande sempre de mãos dadas com o Livro da Águas, pois a interação entre eles certamente enriquece e amplia as possibilidades de uso do material.

livro disponível em pdf:
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/educacao/educacao_pub/?2986

Redes - uma introdução às dinâmicas da conectividade e da auto-organização

O livro apresenta conceitos e reflexões sobre redes, sua história, suas dinâmicas, potencialidades e desafios. Aponta fundamentos e princípios de organização bem como alguns instrumentos e aspectos-chave para sua gestão. Traz ainda relatos de experiências, imagens, documentos, bibliografia sobre o tema, indicações de sites para pesquisa e outros materiais que podem ajudar a qualquer pessoa ou grupo que queira iniciar um processo de construção ou consolidação de redes já existentes.


disponível em pdf : http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/educacao/educacao_pub/?3960

Livros e jogos de Educação Ambiental

http://www.cempre.org.br/educacaoambiental.php

Amiga (o)s,
livros disponíveis em PDF.
  • Panfleto - Coleta Seletiva
  • Conheça a Rota do Lixo
  • Jogo do Reciclino - Faminto por Reciclagem
  • Reciclino - Faminto por Reciclagem
  • O livro de Gaia - Uma pequena lição de amor


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

um sujeito ecológico, Isabel Carvalho

  .. O sujeito ecológico agrega uma série de traços e valores e crenças e poderia ser descrito em facetas variadas. Em sua versão política, poderia ser apresentado como sujeito heróico, vanguarda de um movimento histórico, herdeiro de tradições políticas de esquerda, mas protagonista de novo paradigma politico-existencial. Em sua versão Nova Era, é visto como alternativo integral, equilibrado, harmônico, planetário, holista. Em sua versão de gestor social, supõe-se que partilhe de uma compreensão política e técnica da crise socioambiental, sendo responsável por adotar procedimentos e instrumentos legais para enfrentá-la, por mediar conflitos e planejar ações.

O que há de comum em tudo isso que torna possível pensar em um perfil de sujeito ecológico? Uma das possíveis respostas está na postura ética de crítica à ordem social vigente que se caracteriza pela produtividade material baseada na exploração ilimitada dos bens ambientais, bem como na manutenção da desigualdade e da exclusão social e ambiental. O mundo contra a qual crítica ecológica se levanta é aquele organizado sobre a acumulação de bens materiais, no qual vale mais ter do que ser, no qual a crença na aceleração, na velocidade e na competitividade sem limites tem sido o preço da infelicidade humana, da desqualificação e do abandono de milhões de pessoas, grupos e sociedades que não satisfazem esse modelo de eficácia. A tal modelo de exploração humana corresponde um modo de apropriar-se das forças da natureza e dos ambientes de vida e explorá-los. O ecologismo nasceu criticando a aposta no progresso ilimitado tanto do ponto de vista da duração e da qualidade da existência humana quanto à permanência dos bens ambientais e da natureza em que vivemos.
O desejo de mudança e sua força utópica seguem vigentes, atraindo muito das energias e inspirações dos que hoje se identificam com o ideário ecológico. Talvez isso se vê justamente porque nos tempos atuais não há o clima revolucionário de "acreditar poder mudar o mundo" das décadas de 60/70, as quais deram origem ao ecologismo. O clima social do fim do século XX e início do XXI é outro. As utopias políticas não estão tão em alta no Ocidente, os grupos e as pessoas talvez não acreditem tanto em sua capacidade de mudar as coisas; temos mais medo do futuro. Possivelmente, há menos ousadia e mais resignação como sentimento geral na sociedade, neste momento de desenlace do "breve século XX", como o denominou o conhecido historiador inglês Hobsbawm. Afinal, em um tempo de desesperança com os sistemas políticos e institucionais, a questão ambiental é, talvez, uma das esferas da vida social que hoje mais reúne esperanças e apostas na possibilidade de mudanças tanto em termos coletivos - sociais e até planetários - quanto em termos de estilo de vida e de transformações na vida pessoal.
Assim, a existência de um sujeito ecológico põe em evidência não apenas um modo individual de ser, mas, sobretudo, a possibilidade de um mundo transformado, compatível com esse ideal. Fomenta esperanças de viver melhor, de felicidade, de justiça e bem-estar. Assim, além de servir de fonte de identificação para os ativistas e ecologistas, mobiliza sensibilidades que podem ser experenciadas pro muitos segmentos de nossa sociedade. Os educadores que passam a cultivar as idéias e sensibilidades ecológicas em sua prática educativa estão sendo portadores dos ideais do sujeito ecológico.
Contribuir para a constituição de uma atitude ecológica caracteriza a principal aspiração da Educação Ambiental. É por isso que ela traz consigo forte potencial para alimentar esse ideal de sujeito ecológico, ao mesmo tempo em que opera como importante meditação, pela qual esse ideal vai sendo transformado em experiências concretas de identificação e subjetivação de indivíduos e coletividades. Dessa maneira, a Educação ambiental está efetivamente oferecendo um ambiente de aprendizagem em seu sentido radical, a qual, muito mais do que apenas prover conteúdos e informações, gera processos de formação do sujeito humano, instituindo novos modos de ser, de compreender, de posicionar-se ante os outros e a si mesmo, enfrentando os desafios e as crises do tempo em que vivemos.
  

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