quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Separação de lixo é lei, mas poucos seguem - SC

Separação de lixo é lei, mas poucos seguem -11/01/201

No dia 1º de janeiro, entrou em vigor a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que, entre outras coisas, exige que a população separe os lixos recicláveis de acordo com o tipo de material. No Condomínio Guanabara, em Joinville, as cestinhas de lixo identificadas e com cores diferentes já existem há dois anos.

— Nosso objetivo sempre foi criar uma consciência ambiental entre os nossos moradores, mas nem todos fazem a separação —, afirma o síndico Carlos Roberto da Silva.

Segundo ele, muita gente não tem ainda nem a consciência da importância de reciclar.

— Além das lixeiras coloridas, temos locais para colocar todo tipo de material reciclável, para facilitar. Agora, temos de conhecer essa nova lei para saber como fazer —, afirmou Silva.

A dúvida do síndico é a mesma de muitos moradores, que mal conhecem a nova lei. Até mesmo a Engepasa, empresa responsável pela coleta seletiva em Joinville, não sabe todas as questões em que a lei precisa ser aplicada.

— Nosso departamento jurídico ainda está analisando cada ponto do documento. Não posso dizer em quais Joinville já está atuando de forma adequada, mas acredito que a maioria nós já atendemos —, ressalta o gerente-geral da Engepasa, Luiz Antônio Weinert.

Os dois acreditam que não basta apenas uma lei para regularizar. É preciso, antes de tudo, a conscientização.

— Em nosso prédio, alguns moradores pediram para tirar as lixeiras de alguns pontos porque as pessoas misturavam o reciclado com material orgânico e o cheiro incomodava —, disse Silva.

— Não acredito que essa lei consiga mudar a cultura da população —, afirma Weinert.

Segundo a Engepasa, são recolhidas 520 toneladas de lixo reciclado por mês, o equivalente a 6% do lixo produzido na cidade. O ideal, conforme a empresa, seriam 30%.

— Outra questão que precisa mudar é sobre o lixo orgânico, que hoje soma 60% do total. Tem muito resto de comida, coisas que poderiam ser melhor aproveitas. Nossa cidade está em uma situação favorável, com aterro para alguns anos. Mas e daqui a 20 anos como vai ser? —, pergunta Weinert.

Fonte: Diário Catarinense


Respostas

  • Cada Um Tem 2 Vagas De Garagem, Mas Há Condominos Com Carros Que Não Cabem No Espaço Delimitado. Há Lei ?

  • Existe Alguma Lei Que Proibe Ou Obriga A Entrada De Caminhões De Coleta De Lixo Urbano Nos Condominios?

  • Existe Alguma Lei Que Façam Retirarem O Lixo Do Meu Andar?

  • Procurando respostas? Faça sua pergunta aqui.


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  • A Reciclagem No Brasil Comercio De Sucatas Ltda

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    terça-feira, 18 de janeiro de 2011

    belo monte

    O Presidente do IBAMA se demitiu na quarta-feira passada devido à pressão para autorizar a licença ambiental de um projeto que especialistas consideram um completo desastre ecológico: o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.
    A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.
    A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história. Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar. Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, vamos conseguir 300.000 assinaturas:

    sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

    Sr. Akimori, inventou uma maquina que converte plastico em oleo

    Sr. Akimori, inventou uma maquina que converte plastico em oleo

    In an efficient and safe effort to save us from the ill-effects of plastic waste, Akinori Ito has developed a machine which converts plastic back into oil.

    http://www.flixxy.com/convert-plastic-to-oil.htm

    Revista Brasileira de Educação Ambiental (REVBEA

    Caros Educadores e Militantes Socioambientais,
    A Revista Brasileira de Educação Ambiental (REVBEA), publicação da Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA), acaba de publicar o seu primeiro número no Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas (Sistema SEER), em parceria com a Universidade Federal de Rio Grande (FURG). Acesse a REVBEA em http://www.seer.furg.br/ojs/index.php/revbea.
    O último número da revista encontra-se na seção "Atual" ou no link http://www.seer.furg.br/ojs/index.php/revbea/issue/current
    Convidamos você a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e itens de interesse. Pedimos sua colaboração para nos auxiliar na divulgação e popularização do periódico junto às redes de contatos, fóruns e outras listas que integram. Contribuam com a submissão de artigos. Cadastrem-se no Sistema SEER para acompanhar a REVBEA. Enviem suas impressões, sugestões e críticas.
    O último número da revista encontra-se na seção "Atual" ou no link http://www.seer.furg.br/ojs/index.php/revbea/issue/current
    Aguardamos a sua visita. Boa Leitura!
    Maria do Carmo Galiazzi (mcgaliazzi@gmail.com)
    Editores

    quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

    “Índice de Valores Humanos – IVH”

    PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – cria “Índice de Valores Humanos – IVH” e sugere Políticas Públicas de promoção de valores. 
    O terceiro Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) Brasil 2009/2010, lançado em agosto de 2010, divulga o Índice de Valores Humanos -IVH, que indica o grau de respeito a valores nas áreas de saúde, conhecimento e padrão de vida — as mesmas categorias levadas em conta no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) 
    O índice demonstra a importância da aplicação dos Valores Humanos  na saúde, educação e trabalho e é um índice de referência para sugestões de Politicas Públicas de promoção de valores. 
    O Índice de Valores Humanos - IVH do Brasil é 0,59, valor que equivale à média dos três subíndices que o compõem. O melhor índice é o ligado a trabalho (chamado IVH-T): 0,79,  seguido da educação (IVH-E): 0,54, e o pior é o da saúde (IVH-S): 0,45. (O valor máximo do IVH é 1 e o mínimo, 0). 
    Para melhorar o IVH do Brasil, o terceiro Relatório defende que a política adote estratégia de atuação com o cidadão, não apenas para ele, e com as famílias, entendida como rede de cuidado e afeto. 
    Propõe "processos de formação de políticas nos quais os indivíduos possam ver estimuladas suas habilidades de participação ativa e autônoma na construção das soluções” e, nas famílias, a reorganização do tempo e do espaço, para gerar mais chances de que haja vivências que criem valores. “As políticas com as famílias devem oferecer suporte a elas para que seus membros se sintam mais capazes de estimular o diálogo, a criticidade, a escuta ativa e o respeito mútuo”, sugere o documento. 
    O desafio principal, nas escolas, é melhorar a convivência — dentro da instituição de ensino e entre professores e pais de alunos. “A tarefa de humanização das escolas através do estímulo a práticas e experiências de valor está longe de ser uma panaceia aos desafios da educação básica no país. Mas pode ser uma ajuda e uma contribuição à ambição da busca por justiça social através da educação”. http://www.pnud.org.br/cidadania/reportagens/index.php?id01=3539&lay=cid 
    O coordenador do RDH 2009/2010, Flávio Comim, conta que boa parte do que apareceu em relação à educação não foi uma demanda por mais conteúdo nas escolas, mas uma carência de que o espaço escolar também transmita valores aos alunos.
    Segundo o texto, é tarefa dos governos investir em espaços públicos que propiciem experiências que geram valores.
    Os valores mais citados pelos participantes da consulta foram respeito, justiça, paz, ausência de preconceito, humanidade, amor, honestidade, valor espiritual, responsabilidade e consciência. Para o coordenador do relatório, isso “nos leva a um conceito novo de valores de vida: nem só morais ou éticos, nem só financeiros, são os valores praticados no dia-a-dia.” 
    Para o coordenador do RDH Brasil 2009/2010, Flávio Comim,  “o novo índice busca dar materialidade à discussão sobre a importância dos valores para o desenvolvimento humano”. Fala também da correlação direta entre IDH e o IVH. “O IDH concentra-se nos resultados. O IVH desloca a atenção para os processos que levam a um pior ou melhor desenvolvimento humano. Os dois índices são complementares”.  
    Os dados evidenciam que valores humanos são a base que garantem o desenvolvimento humano sustentável.

    Família que produziu um saco de lixo em 2010

    O casal Richard e Rachelle Strauss e a filha Verona, de 9 anos, reciclam praticamente tudo, plantam grande parte da própria comida e transformam restos de alimento em adubo
    Uma família britânica diz ter conseguido produzir apenas uma sacola de lixo em todo o ano de 2010. O casal Richard e Rachelle Strauss e a filha Verona, de 9 anos, reciclam praticamente tudo, plantam grande parte da própria comida e transformam restos de alimento em adubo.
    Além disso, eles compram produtos diretamente de produtores locais para evitar embalagens em excesso e quando vão ao açougue, por exemplo, eles levam os próprios recipientes.
    Em 2009, eles conseguiram reduzir sua produção de lixo para apenas uma lata. Em 2010, os Strauss, que vivem em Longhope, no condado de Gloucestershire, eles decidiram aumentar o desafio e não produzir lixo nenhum.
    "Estamos muito felizes com o resultado. Nós sabíamos que produção 'zero' de lixo seria impossível, mas se você não colocar as metas lá no alto, nunca vai saber o que pode alcançar", disse Rachelle Strauss.
    A pequena sacola de lixo continha alguns brinquedos quebrados, lâminas de barbear, canetas e negativos fotográficos.
    Contaminação por plástico
    A ideia de reduzir drasticamente a produção de lixo da família surgiu em 2008, mas quando Rachelle falou com o marido sobre sua proposta, percebeu que ele não estava interessado.
    "Richard só resolveu encampar a ideia depois de ler uma série de artigos sobre os danos causados à vida marinha pela contaminação por plástico. Ele ficou muito impressionado", disse Rachelle à BBC Brasil.
    Os Strauss começaram o desafio reduzindo o uso de plástico. Depois, passaram a reciclar e reaproveitar cada vez mais, além de usar baterias recarregáveis e painéis solares para gerar energia.
    A experiência foi contada em um site na internet, o http://www.myzerowaste.com/, que acabou virando referência sobre reciclagem e tem mais de 70 mil visitantes por mês.
    "Para quem quer reduzir a produção de lixo, minha primeira dica seria pensar no que você está comprando e escolher produtos com menos embalagem e com invólucros que sejam recicláveis. Em segundo lugar, é importante evitar o desperdício de alimento. Aqui na Grã-Bretanha, um terço da comida que compramos acaba no lixo. Em terceiro lugar, tente reciclar o máximo que puder", aconselha Rachelle.

    domingo, 9 de janeiro de 2011

    O Guia de aves Mata Atlântica Paulista

    O Guia de aves Mata Atlântica Paulista, produzido pelo WWF-Brasil e pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo com o apoio do HSBC, tem como objetivo incentivar a prática da observação de aves na bela região da Serra do Mar e Serra de Paranapiacaba. A obra foi pensada para ajudar todos os observadores, iniciantes ou mais experientes, a descobrir e desfrutar a riqueza multicolorida das aves dessas áreas protegidas.

    Pode ser comprado nos parques por R$ 10, mas também existe a versão digital, segue link para download grátis:
    http://www.wwf.org.br/informacoes/?26722/Guia-de-aves-Mata-Atlantica-Paulista

    O império do consumo

    O império do consumo

    Envolverde30 de dezembro de 2010 às 11:25h

    Esta ditadura da uniformização obrigatória impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar. Por Eduardo Galeano
    Por Eduardo Galeano
    A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
    O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.
    Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?
    A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.
    A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.
    O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.
    “Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.
    Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
    O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.
    O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel par trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.
    Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que veem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um patrimônio coletivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.
    Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald’s, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.
    O campeonato mundial de futebol de 98 confirmou-nos, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda eterna juventude e o menu do MacDonald’s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército de McDonald’s dispara hambúrgueres às bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O arco duplo desse M serviu de estandarte durante a recente conquista dos países do Leste da Europa. As filas diante do McDonald’s de Moscou, inaugurado em 1990 com fanfarras, simbolizaram a vitória do ocidente com tanta eloquência quanto o desmoronamento do Muro de Berlim.
    Um sinal dos tempos: esta empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. A McDonald’s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama a Macfamília, tentaram sindicalizar-se num restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas em 1998, outros empregados da McDonald’s, numa pequena cidade próxima a Vancouver, alcançaram essa conquista, digna do Livro Guinness.
    As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.
    Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprados a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece.
    Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.
    As angústias enchem-se atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas te escolhem e te salvam do anonimato multitudinário.
    A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias: Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.
    Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX pôs fim a sete mil anos de vida humana centrada na agricultura desde que apareceram as primeiras culturas, em fins do paleolítico. A população mundial urbaniza-se, os camponeses fazem-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação, e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em toda parte, mas por experiência sabem que atende nas grandes urbes.
    As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os que esperam veem passar a vida e morrem a bocejar; nas cidades, a vida ocorre, e chama. Apinhados em tugúrios [casebres], a primeira coisa que descobrem os recém chegados é que o trabalho falta e os braços sobram.
    Enquanto nascia o século XIV, frei Giordano da Rivalto pronunciou em Florença um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam “porque as pessoas têm o gosto de juntar-se”. Juntar-se, encontrar-se. Agora, quem se encontra com quem? Encontra-se a esperança com a realidade? O desejo encontra-se com o mundo? E as pessoas encontram-se com as pessoas? Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente se encontra com as coisas?
    O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.
    O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.
    A multidão, que sobe e baixa pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago, e para ver e ouvir não é preciso pagar bilhete. Os turistas vindos das povoações do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas bênçãos da felicidade moderna, posam para a foto, junto às marcas internacionais mais famosas, como antes posavam junto à estátua do grande homem na praça.
    Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam ao centro. O tradicional passeio do fim de semana no centro da cidade tende a ser substituído pela excursão a estes centros urbanos. Lavados, passados e penteados, vestidos com as suas melhores roupas, os visitantes vêm a uma festa onde não são convidados, mas podem ser observadores. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.
    A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.
    O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shopping centers, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.
    Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?
    A sociedade de consumo é uma armadilha caça-bobos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.
    A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

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