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sábado, 23 de abril de 2011

TERRAMÉRICA – Danos ocultos

por Emilio Godoy*
Pesquisadores acreditam que alguns efeitos da contaminação causada pelo vazamento de petróleo da British Petroleum poderão ser notados por vários anos em águas mexicanas.
MexicoTartarugaMarinha TERRAMÉRICA   Danos ocultosMauricio Ramos/IPS
As tartarugas marinhas estão entre os grandes animais que podem apresentar alterações em sua reprodução.
Cidade do México, México, 18 de abril de 2011 (Terramérica).- Quando completa um ano do pior vazamento acidental de petróleo no mar, o da British Petroleum (BP) no Golfo do México, a busca por danos em território mexicano ainda não é concludente, enquanto os cientistas continuam coletando e analisando provas. Entre 20 de abril e 15 de julho de 2010, quase cinco milhões de barris de petróleo vazaram do poço da BP em águas norte-americanas do Golfo do México, segundo medição de agências federais dos Estados Unidos. Foi o pior acidente deste tipo na história da indústria do petróleo. Do vazamento foram recuperados apenas 800 mil barris (de 159 litros).
Ao contrário dos danos ainda visíveis em águas e nas costas dos Estados Unidos, “não observamos evidência direta de altos níveis de hidrocarbonos ou de seus resíduos na área de trabalho. Não há informação sobre a chegada de hidrocarbonos associados ao vazamento a águas mexicanas”, disse ao Terramérica a doutora em Ecologia Marinha Sharon Herzka, do Centro de Pesquisa Científica e de Educação Superior de Ensenada (Cicese). Isto “provavelmente porque o ponto mais próximo entre o poço e as águas mexicanas é de cerca de 400 quilômetros”, acrescentou a pesquisadora do Cicese, com sede no Estado da Baixa Califórnia, na costa do Oceano Pacífico.
Sharon coordena uma pesquisa sobre os efeitos do vazamento, da qual participam, entre outros, a Universidade Autônoma da Baixa Califórnia (UABC) e os governamentais institutos Mexicano do Petróleo e Nacional de Ecologia. Na primeira etapa, entre 6 e 22 de novembro, uma equipe a bordo do barco oceanográfico Xiximi-1 recolheu mais de mil amostras de água e centenas de sedimentos a profundidades entre mil e 3.500 metros. A segunda fase é a análise química e biológica das amostras e a definição das características da água, como salinidade e temperatura, na área central do Golfo do México. Os resultados ficarão prontos em junho.
Contudo, Sharon alerta que “nos anos seguintes pode haver efeitos negativos indiretos”, como a redução de “mamíferos e tartarugas marinhas e espécies de peixes grandes que sustentam pescas importantes”. O Golfo do México é uma região do Oceano Atlântico que, em seus 1,55 milhão de quilômetros quadrados, contém importante bacia petrolífera, compartilhada pelos países costeiros: Estados Unidos no Norte e Noroeste, México no Oeste e Sul, Cuba no Leste. A atividade petrolífera compete com uma biodiversidade cujos recursos pesqueiros são vitais para muitas populações litorâneas.
O segundo pior vazamento marinho também aconteceu no Golfo do México, quando, em 1979, explodiu a plataforma mexicana Ixtoc, derramando 3,3 milhões de barris de óleo na água. “O Golfo do México tem uma alta capacidade natural de degradação de hidrocarbonos. Isto significa que, aparentemente, ‘consumiu’ muito do que estava na água, que não evaporou nem foi retirado perto do poço”, disse Sharon. “Manejamos o alerta sobre espécies migratórias, como a tartaruga de kemp, o atum de barbatana azul e os pelicanos, que foram afetados e chegam ao litoral de Veracruz e Yucatán”, disse ao Terramérica o coordenador da campanha de Oceanos e Costas do Greenpeace, Alejandro Olivera.
O ecologista integrou uma expedição do Greenpeace de 32 especialistas que, em outubro e novembro, percorreu a região contaminada pelo acidente, cujos resultados serão divulgados dentro de algumas semanas. Na parte norte-americana de mar, a expedição identificou uma faixa de água de vários quilômetros com baixa concentração de oxigênio, sintoma de contaminação que, segundo Alejandro, poderia aparecer em Tamaulipas, o Estado mexicano mais próximo. Além de seus mangues, que têm um papel biológico importante e servem de barreira natural contra furacões e erosão das praias, Taumalipas é o principal produtor de camarão marrom (Farfantepenaeus aztecus), com cerca de 10.784 toneladas por ano.
“No médio e longo prazos, o vazamento pode afetar a reprodução do atum de barbatana amarela e do de barbatana azul”, disse ao Terramérica o pesquisador da UABC, Rafael Solana. O atum de barbatana amarela (Thunnus albacares) e o de barbatana azul (Thunnus thynnus) estão com superexploração em águas mexicanas do Pacífico e do Golfo do México. A produção anual nesta última área é de aproximadamente mil toneladas, segundo a Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico. Entre setembro e novembro do ano passado, os governos estaduais de Tamaulipas, Veracruz e Quinta Roo entraram com dois processos em tribunais norte-americanos contra a BP, a Transocean e outras empresas por possíveis danos ao ambiente marinho, à costa e aos estuários.
Os processos passaram a integrar o litígio multidistrital MDL-2179, a cargo de um tribunal de Louisiana, com outras centenas de casos consolidados de milhares de reclamantes, entre os quais estão os referentes a 11 pessoas mortas, danos pessoais, danos ambientais e econômicos. Estima-se que poderão chegar a julgamento em fevereiro do ano que vem. Um aspecto que preocupa os cientistas são as bolas de petróleo depositadas no leito marinho, formadas pela aplicação de substâncias químicas tóxicas para diluir o óleo que flutuava na água. Podem ser ingeridas por algumas espécies, entrando na cadeia alimentar. A BP reconheceu ter lançado 6,8 milhões de litros do solvente Corexit.
Os “contaminantes químicos afetam seriamente a fisiologia dos peixes, o que repercute indiretamente na própria dinâmica populacional, no ciclo reprodutor. Isso se refletirá nos rendimentos da pesca, na economia e na conservação do recurso”, explicou Rafael. O governo mexicano apoia a pesquisa do Cicese e inspecionou as águas nacionais do Golfo do México, sem encontrar rastros de petróleo. Além disso, ativou o Plano Nacional de Contingência para Combate e Controle de Vazamentos de Hidrocarbonos e Outras Substâncias Nocivas no Mar, criado no final da década de 1990.
“Os especialistas calculam que será preciso esperar até mesmo décadas para conhecer as consequências reais do vazamento”, afirma o último relatório oficial mexicano divulgado no dia 5 de agosto pela internet. Determinar o impacto ambiental do vazamento é crucial diante do apetite dos países da bacia para explorar suas jazidas. México e Estados Unidos acertaram, em 2000, no Tratado sobre Delimitação da Plataforma Continental da Região Ocidental do Golfo do México Além das 200 Milhas Náuticas, suspender por dez anos o aproveitamento das jazidas transfronteiriças na área, enquanto negociavam um regime de prospecção e exploração.
A moratória vencia em janeiro, mas em 2010 os dois governos a prorrogaram até 2014. Diante da evidência do avanço das concessões norte-americanas em águas profundas, a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) tenta se ajustar. Em janeiro, a Comissão Nacional de Hidrocarbonos, criada em 2008, divulgou normas sobre uso de tecnologia, proteção ambiental, segurança industrial e contratação de seguros contra acidentes como o da Deepwater Horizon.
* O autor é correspondente da IPS.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Polícia da Hungria abre investigações para apurar causas de vazamento tóxico

06/10/2010 - 15h21

A Hungria abriu uma investigação nesta quarta-feira para determinar as causas do vazamento de lama tóxica que já causou ao menos quatro mortes e ameaça contaminar o rio Danúbio, motivando alerta da União Europeia (UE) para a possibilidade de alastramento por outros países.
Ainda não se sabe por que motivo parte do reservatório em que se encontrava o lixo tóxico, em uma refinaria na cidade de Ajka (160 km a oeste de Budapeste), se rompeu.
A decisão da Hungria de colocar a Polícia Nacional à frente das investigações revela a importância e a complexidade da tragédia.
O premiê Viktor Orban disse que as autoridades foram pegas de surpresa pelo desastre, uma vez que há duas semanas o local havia sido inspecionado, e, afirmou, nenhuma irregularidade foi encontrada.
O governo húngaro estima que serão necessários pelo um ano e milhões de dólares para limpar as cidades atingidas pelo desastre ambiental, que levou à decretação de estado de emergência em três cidades do sudoeste do país.
Equipes de socorro concentram esforços no momento em evitar que a lama chegue ao rio Danúbio, que corta o país a atravessa Croácia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Ucrânia e Moldova antes de desaguar no mar Negro.
Estima-se em cinco dias o tempo para que a lama chegue até o rio.
"Esperamos conseguir conter isso", disse o ministro do Interior, Sandor Pinter. "Até este momento, nós conseguimos conter a lama no rio Marcal, antes do rio Raba [que deságua no Danúbio]."
Segundo Pinter, o governo húngaro examina com a UE a possibilidade de receber assistência para enfrentar o desastre ambiental.
Desde o rompimento do reservatório em Ajka, na segunda-feira, cerca de 1 milhão metros cúbicos de resíduos tóxicos foram espalhados pela região de Kolontar e outras duas vilas.
O vazamento carregou carros nas ruas, danificou casas e pontes, e levou cerca de 400 moradores a deixarem a região. Entre os quatro mortos está ao menos uma criança, de 3 anos. Seis pessoas estão desaparecidas e 120 ficaram feridas --duas em estado grave--, a maioria com queimaduras e irritação nos olhos causada por chumbo e outros elementos corrosivos presentes na lama vermelha. Muitos animais também morreram.
Para o secretário de Estado do Ministério do Meio Ambiente, Zoltan Illés, este é o acidente químico mais grave da história da Hungria. 'O vazamento de lama vermelha é uma catástrofe ecológica.'
A lama vermelha é um resíduo do processo de transformação da bauxita em alumina, matéria-prima para a fabricação do alumínio. A produção de uma tonelada de alumínio gera quase três toneladas de lama vermelha.

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/810703-policia-da-hungria-abre-investigacoes-para-apurar-causas-de-vazamento-toxico.shtml

Lama vermelha na Hungria corre para o rio Danúbio e ameaça causar catástrofe ecológica

05/10/2010 - 20h14
Uma onda de lama vermelha tóxica que vazou de uma refinaria cobriu cidades na Hungria nesta terça-feira, matando ao menos quatro pessoas e ameaçando provocar uma catástrofe ecológica ao correr em direção ao rio Danúbio, um dos principais da Europa.
Ontem, um depósito de uma refinaria em Ajka (160 km a oeste de Budapeste) se rompeu por razões ainda desconhecidas, e cerca de 700 mil metros cúbicos de resíduos tóxicos foram espalhados pela região de Kolontar e outras duas vilas.
O vazamento carregou carros nas ruas, danificou casas e pontes, e levou cerca de 400 moradores a deixarem a região. Entre os quatro mortos está ao menos uma criança, de 3 anos. Seis pessoas estão desaparecidas e 120 ficaram feridas --duas em estado grave--, a maioria com queimaduras e irritação nos olhos causada por chumbo e outros elementos corrosivos presentes na lama vermelha. Muitos animais também morreram.
Este é o acidente químico mais grave da história da Hungria, afirmou o secretário de Estado do ministério do Meio Ambiente, Zoltan Illés, que visitou Kolontar, uma das cidades afetadas. "O vazamento de lama vermelha é uma catástrofe ecológica."
O governo decretou estado de emergência em três Departamentos (Estados) --Veszprém, Gyor-Moson-Sopron e Vas. Testes mostraram que não há perigo de radiação na área atingida, disse o premiê húngaro em entrevista coletiva.
A lama vermelha é um resíduo do processo de transformação da bauxita em alumina, matéria-prima para a fabricação do alumínio. A produção de uma tonelada de alumínio gera quase três toneladas de lama vermelha.
"A substância espessa e altamente alcalina tem um efeito cáustico na pele. A lama contém metais pesados, como chumbo, e é levemente radioativa. Inalar sua poeira pode causa câncer de pulmão", informa a Unidade de Desastres Naturais da Hungria em seu site. A unidade recomendou às pessoas limpar a lama com água para neutralizar a substância.
O incidente desta semana ameaça ultrapassar os estragos ambientais causados há dez anos, quando enormes quantidades de cianureto vazaram de um reservatório de uma mina de ouro, em uma cidade romena perto da fronteira com a Hungria, e caíram no rio Danúbio e em outros quatro rios menores, matando animais e plantas. A Romênia, a então Iugoslávia e a Ucrânia também foram afetados.
CULPADOS
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, disse nesta terça-feira que o vazamento pode ter sido causado por falha humana, já que não há sinais de causas naturais.
"Não sabemos de nenhum sinal de indique que o desastre tenha causas naturais", disse Orban. "E se um desastre não tem causas naturais, então pode ser considerado um desastre causado por pessoas. Suspeitamos que esse possa ser o caso."
Segundo o premiê, a refinaria foi inspecionada duas semanas antes e nenhuma irregularidade foi encontrada.
Representantes de organizações industriais em Londres e nos EUA não souberam explicar como as vítimas na Hungria foram queimadas com o material, alegando que, se apropriadamente armazenado, ele não é perigoso.
É comum estocar o resíduo em tanques onde a água, aos poucos, evapora, deixando para trás um resíduo vermelho como terra, disseram autoridades. Porém, o ambientalista húngaro Gergely Simon disse que o resíduo envolvido no desastre estava se acumulando no reservatório por décadas e estava extremamente alcalino, com um pH em torno de 13 --quase o mesmo que a soda cáustica-- e isso causou as queimaduras.
Como queimaduras químicas podem levar dias para aparecer, ferimentos aparentemente superficiais podem vir a ser letais conforme penetram em tecidos mais profundos da pele, explicou o médico Peter Jakabor, do hospital Gyor, à TV estatal.
A empresa MAL Rt, dona da refinaria de Ajka, disse que a lama vermelha não é considerada um resíduo perigoso segundo os padrões da União Europeia. A empresa também negou que deveria ter sido mais cautelosa com o reservatório.
Claramente irritado com o comentário da empresa, o ministro do Interior, Sandor Pinter, respondeu: "Eles deveriam nadar nele e então veriam."
DESASTRE
Equipes de emergência vestindo máscaras e equipamentos de proteção se apressaram para jogar mil toneladas de argamassa no rio Marcal, numa tentativa de conter o mar de lama vermelha e evitar que ela chegue até o Danúbio, a cerca de 70 km.
No local, moradores desesperados tentavam salvar seus pertences protegendo-se no máximo com luvas de borracha.
O rio Danúbio passa por alguns dos lugares mais preservados do continente, desde sua nascente na Floresta Negra, na Alemanha, até desaguar no Mar Negro.
Agora de um verde turvo --não mais azul como imortalizado na valsa de Strauss-- o rio passa por quatro ex-nações comunistas.
PERDAS
Em Kolontar, a cidade mais perto da refinaria, Erzsebet Veingartner estava na cozinha de casa quando a onda de 3,5 metros estourou, varrendo tudo em seu caminho.
"Eu olhei para fora e tudo que vi foi uma grande onda", disse a viúva de 61 anos, observando os estragos em seu quintal.
"Perdi todas as minhas galinhas, meus patos, meu Rottweiler, e minha plantação de batatas. Todas as ferramentas e máquinas do meu falecido marido estavam no galpão e se foram", lamentou a mulher, que sobrevive com uma pensão mensal de US$ 350. "Eu tenho lenha para um inverno inteiro no porão, e agora está tudo inutilizável."

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Cerca de 60 baleias morrem em praia na Nova Zelândia

fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/multimedia/2010/08/100820_baleias_encalhadas_ir.shtml
20-ago-2010

Cerca de 60 baleias morreram depois de ficarem encalhadas em uma praia no norte da Nova Zelândia.
Equipes de resgate estão tentando libertar outros 15 cetáceos que sobreviveram, cada um pesando cerca de 1,5 tonelada.
Chuvas fortes ajudaram a evitar que os animais secassem, mas estão dificultando o trabalho de salvamento das baleias.
É comum ver esses animais encalhados em praias da Nova Zelândia, que é rota de passagem na migração das baleias que vão e voltam da Antártida.

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