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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Relatório: Empresas não estão preparadas para crise de recursos naturais

Consultoria Carbon Trust destaca que companhias já entendem que a água e outros bens naturais estão ficando cada vez mais escassos, mas salienta que ainda são poucas as que estão transformando seus modelos de negócios

Já há muito tempo é sabido que os recursos do planeta são finitos e que o desafio de se adequar a uma nova realidade de queda na oferta de matéria-prima e de possíveis interrupções na cadeia de suprimentos ficará cada vez maior.

Porém, essa conscientização, que já teria alcançado um nível alto entre as empresas, ainda não se traduziu em ações, e poucos são os líderes empresariais que estão enxergando a escassez de recursos como uma oportunidade e não uma crise.

Essa é uma das conclusões do relatório “Opportunities in a resource constrained world: How business is rising to the challenge” (algo como Oportunidades em um mundo de recursos escassos: Como os negócios estão enfrentando o desafio), divulgado na semana passada pela consultoria britânica Carbon Trust.

De acordo com o documento, existirá, por exemplo, uma lacuna de 40% entre as reservas de água disponíveis e a necessidade de consumo em 2030. Outros recursos, como certos minérios utilizados em produtos de alta tecnologia, ficarão escassos ainda antes, já em 2016.

“Para proteger nossa economia, nosso meio ambiente e os recursos disponíveis para as futuras gerações, precisamos que as empresas de hoje reconheçam a seriedade dessa ameaça e adaptem seus modelos de negócios”, afirmou Tom Delay, presidente da Carbon Trust.

De acordo com o documento, existirá, por exemplo, uma lacuna de 40% entre as reservas de água disponíveis e a necessidade de consumo em 2030. Outros recursos, como certos minérios utilizados em produtos de alta tecnologia, ficarão escassos ainda antes, já em 2016.

“Para proteger nossa economia, nosso meio ambiente e os recursos disponíveis para as futuras gerações, precisamos que as empresas de hoje reconheçam a seriedade dessa ameaça e adaptem seus modelos de negócios”, afirmou Tom Delay, presidente da Carbon Trust.

A consultoria entrevistou 475 companhias de cinco países e constatou que 69% delas possuem algum tipo de programa de sustentabilidade. No entanto, 40% das pesquisadas classificaram seus esforços como “reativos”, ou seja, esperam o problema surgir e depois atuam para resolvê-lo. Para piorar, apenas 5% das empresas estão confiantes na qualidade de seus programas e se consideraram líderes em sustentabilidade.

“Nosso relatório mostra que as empresas que proativamente estão colocando a sustentabilidade em suas operações têm o potencial de valorizar seus negócios e reduzir a vulnerabilidade à escassez dos recursos”, explicou Delay.

Oportunidades

Apesar de criticar a lentidão do mundo corporativo em transformar seus modelos de negócio, a maior parte do relatório é dedicada às boas práticas já existentes e que podem servir de exemplo para quem quiser explorar as oportunidades de uma economia mais sustentável.

Uma das corporações citadas é a BT, uma das maiores empresas de comunicação do planeta, presente em 170 países. Através de programas de sustentabilidade, a BT conseguiu, desde 2011, reduzir as emissões de gases do efeito estufa de suas operações em 44% e de sua cadeia de fornecedores em 15%, e diminuiu em 40% a sua produção de resíduos. Ao mesmo tempo, registrou uma queda de 14% em seus custos operacionais.

Outro destaque é a Whitebread, maior cadeia de hotéis e restaurantes do Reino Unido, que emprega 43 mil pessoas e atende mais de 22 milhões de clientes por mês em 2.500 estabelecimentos.

Segundo a Carbon trust, a iniciativa “Good Together” (algo como Bons Juntos) da Whitebread promoveu a redução de 23% nas emissões, 22% no consumo de água e aumentou em 93% a reciclagem de resíduos. Mesmo com os investimentos necessários para realizar essas ações, os lucros da empresa em 2013 aumentaram 14%.
“Ao se diferenciarem da prática comum no mercado, as empresas mais sustentáveis conseguem aumentar sua competitividade e fortalecer sua marca”, afirma o relatório.

A Carbon Trust acredita que, ao buscarem ser mais eficientes, as companhias estão se posicionando de forma vantajosa em um planeta em que os recursos estão ficando escassos. Assim, podem tirar proveito das oportunidades que outras empresas não enxergam ou não têm condições de atender.

“A grande mensagem do relatório é que é benéfico de várias maneiras para as empresas se tornarem mais resilientes aos problemas ambientais e climáticos. Melhorar a eficiência no uso de recursos é bom para a reputação e se reflete de forma quase automática em ganhos reais”, concluiu Delay.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Diamantes brasileiros revelam nova teoria sobre ciclo do carbono

Em artigo publicado na edição desta quinta-feira (15) da revista científica Science, o pesquisador da Universidade de Bristol Michael Walter e seus colegas no Brasil e nos Estados Unidos revelam que o ciclo do carbono (movimento do carbono pela atmosfera, oceanos e crosta terrestre), do qual a grande maioria dos seres depende, atinge profundezas da Terra muito além do que se supunha, chegando até o manto inferior.
O achado desvenda a extensão do ciclo de carbono, mostrando a ligação entre processos químicos e biológicos que ocorrem desde a terra firme e os oceanos até o interior bem profundo do planeta.
Anteriormente, acreditava-se que o ciclo do carbono poderia chegar apenas até o manto superior da Terra, ou seja, cerca de 400 quilômetros em direção ao interior do globo. A novidade trazida à tona por esta pesquisa é a de que o ciclo do carbono seria capaz de atingir uma distância de 660 quilômetros, chegando, assim, mais profundamente ao interior da Terra.
Para se chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram matéria-prima brasileira: um conjunto de diamantes superprofundos de jazidas próximas à cidade de Juína, no norte do Mato Grosso, a 754 quilômetros da capital Cuiabá.
Os diamantes estudados contêm nas inclusões uma série de minerais formados quando o basalto se funde e cristaliza nas pressões e temperaturas extremas do manto inferior. A teoria dos cientistas é de que as inclusões teriam se dado quando as jazidas formadoras de diamantes incorporaram componentes basálticos da crosta terrestre do fundo do mar, que desceram até as partes mais inferiores do planeta. Se o caminho for realmente esse, o carbono que forma os diamantes pode ter sido depositado na crosta oceânica no fundo do mar. Essa ideia é reforçada pela relativa abundância de isótopos leves de carbono nos diamantes de Juína, pois essa forma mais leve é encontrada na superfície, e não no manto.
“Estudamos diamantes neste tipo de pesquisa pois eles são capazes de preservar os minerais inclusos. Os diamantes são transportados desde o manto inferior e as inclusões minerais podem ficar intactas. Essas pedras representam, portanto, amostras diretas e únicas do manto inferior. Outros minerais sendo transportados desde o manto inferior podem ser re-equilibrados e/ou modificados em pressões e temperaturas mais baixas”, disse ao iG a cientista da Universidade de Brasília Débora Passos de Araújo, que assina a pesquisa junto com Walter.
Para o autor principal da pesquisa, os diamantes são cápsulas do espaço e do tempo, capazes de carregar informações de lá para cá: “É possível que as inclusões minerais nos permitam perseguir o movimento do manto. Nós gostamos de pensar nos diamantes na forma de cápsulas do espaço e do tempo. Ao combinar o que a mineralogia nos diz sobre o quanto os diamantes têm sido transportados pelo fluxo do manto, com informações sobre a idade, podemos potencialmente calcular a taxa de movimentação das camadas terrestres”, explicou Walter ao iG.
O poder dos diamantes brasileiros – O motivo da escolha deste grupo de diamantes ocorreu em função da taxa de diamantes profundos encontrados em Juína ser expressivamente maior do que em outros locais.
“Os diamantes de Juína são conhecidos desde 1991 por conterem inclusões da zona de transição e do manto inferior. Anteriormente, só haviam sido descritos diamantes profundos na Austrália e na África do Sul. Os diamantes profundos de Juína continuaram a ser descobertos e sempre com mais novidades, maior número de inclusões e maior número de amostras do que nas outras localidades. Enquanto em outros locais se encontra 10%, 20% de diamantes profundos entre aqueles formados no manto superior, em Juína esta taxa pode alcançar 90%”, explicou Débora.
“O repositório de carbono importante na Terra é provavelmente o manto, ao invés da atmosfera ou da biosfera, mas é o menos compreendido. Em termos do ciclo de carbono global, os nossos novos achados podem ajudar a entender onde o carbono que passou pelo processo de subducção acaba e como o reservatório do manto pode afetar o ciclo global sobre a história da Terra”, finalizou Walter.  

(Fonte: Tatiana Tavares/ Portal iG)

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