terça-feira, 15 de junho de 2010

Cientistas responsabilizam celular por desaparecimento de abelhas, diz site

Por clipping

O desaparecimento de abelhas que alarmou a Europa e a América do Norte está sendo creditado, por alguns cientistas, ao crescimento do uso dos celulares, segundo o site do jornal britânico “Daily Telegraph”.
De acordo com o site, a Grã Bretanha teve uma queda de 15% na sua população de abelhas nos últimos dois anos.
Pesquisadores da Universidade Punjab dizem que a radiação dos telefones celulares é um fator chave no desaparecimento e alegam que isso está envolvendo nos sentidos de navegação das abelhas.
Segundo o “Daily Telegraph”, os cientistas fizeram um experimento durante três meses e compararam a situação das abelhas que estavam coexistindo com os celulares com as que não estavam.
As que estavam no ambiente com radiação de celular tiveram uma queda dramática no tamanho de sua colmeia e redução do número de ovos postos pela abelha rainha.
As abelhas também pararam de produzir mel. (Fonte: Folha.com)

http://flawegmann.wordpress.com

segunda-feira, 14 de junho de 2010

POSTE DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA 100% ALIMENTADO POR ENERGIA EÓLICA E SOLAR

Por GEVAN OLIVEIRA
Empresário cearense desenvolve o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energia eólica e solar


Não tem mais volta.
As tecnologias limpas – aquelas que não queimam combustível fóssil – serão o futuro do planeta quando o assunto for geração de energia elétrica. E, nessa onda, a produção eólica e solar sai na frente, representando importantes fatias na matriz energética de vários países europeus, como Espanha, Alemanha e Portugal, além dos Estados Unidos. Também está na dianteira quem conseguiu vislumbrar essa realidade, quando havia apenas teorias, e preparou-se para produzir energia sem agredir o meio ambiente. No Ceará, um dos locais no mundo com maior potencial energético (limpo), um ‘cabeça chata’ pretende mostrar que o estado, além de abençoado pela natureza, é capaz de desenvolver tecnologia de ponta.
O professor Pardal cearense é o engenheiro mecânico Fernandes Ximenes, proprietário da Gram-Eollic, empresa que lançou no mercado o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energias eólica e solar. Com modelos de 12 e 18 metros de altura (feitos em aço), o que mais chama a atenção no invento, tecnicamente denominado de Produtor Independente de Energia (PIE), é a presença de um avião no topo do poste.
Feito em fibra de carbono e alumínio especial – mesmo material usado em aeronaves comerciais –, a peça tem três metros de comprimento e, na realidade, é a peça-chave do poste híbrido. Ximenes diz que o formato de avião não foi escolhido por acaso. A escolha se deve à sua aerodinâmica, que facilita a captura de raios solares e de vento. "Além disso, em forma de avião, o poste fica mais seguro. São duas fontes de energia alimentando-se ao mesmo tempo, podendo ser instalado em qualquer região e localidade do Brasil e do mundo", esclarece.
Tecnicamente, as asas do avião abrigam células solares que captam raios ultravioletas e infravermelhos por meio do silício (elemento químico que é o principal componente do vidro, cimento, cerâmica, da maioria dos componentes semicondutores e dos silicones), transformando-os em energia elétrica (até 400 watts), que é armazenada em uma bateria afixada alguns metros abaixo. Cumprindo a mesma tarefa de gerar energia, estão as hélices do avião. Assim como as naceles (pás) dos grandes cata-ventos espalhados pelo litoral cearense, a energia (até 1.000 watts) é gerada a partir do giro dessas pás.
Cada poste é capaz de abastecer outros três ao mesmo o tempo. Ou seja, um poste com um "avião" – na verdade um gerador – é capaz de produzir energia para outros dois sem gerador e com seis lâmpadas LEDs (mais eficientes e mais ecológicas, uma vez que não utilizam mercúrio, como as fluorescentes compactas) de 50.000 horas de vida útil dia e noite (cerca de 50 vezes mais que as lâmpadas em operação atualmente; quanto à luminosidade, as LEDs são oito vezes mais potentes que as convencionais). A captação (da luz e do vento) pelo avião é feita em um eixo com giro de 360 graus, de acordo com a direção do vento.

À prova de apagão
 Por meio dessas duas fontes, funcionando paralelamente, o poste tem autonomia de até sete dias, ou seja, é à prova de apagão. Ximenes brinca dizendo que sua tecnologia é mais resistente que o homem: "As baterias do poste híbrido têm autonomia para 70 horas, ou seja, se faltarem vento e sol 70 horas, ou sete noites seguidas, as lâmpadas continuarão ligadas, enquanto a humanidade seria extinta porque não se consegue viver sete dias sem a luz solar".

O inventor explica que a idéia nasceu em 2001, durante o apagão. Naquela época, suas pesquisas mostraram que era possível oferecer alternativas ao caos energético. Ele conta que a caminhada foi difícil, em função da falta de incentivo – o trabalho foi desenvolvido com recursos próprios. Além disso, teve que superar o pessimismo de quem não acreditava que fosse possível desenvolver o invento. "Algumas pessoas acham que só copiamos e adaptamos descobertas de outros. Nossa tecnologia, no entanto, prova que esse pensamento está errado. Somos, sim, capazes de planejar, executar e levar ao mercado um produto feito 100% no Ceará. Precisamos, na verdade, é de pessoas que acreditem em nosso potencial", diz.

Mas esse não parece ser um problema para o inventor. Ele até arranjou um padrinho forte, que apostou na idéia: o governo do estado. O projeto, gestado durante sete anos, pode ser visto no Palácio Iracema, onde passa por testes. De acordo com Ximenes, nos próximos meses deve haver um entendimento entre as partes. Sua intenção é colocar a descoberta em praças, avenidas e rodovias.
O empresário garante que só há benefícios econômicos para o (possível) investidor. Mesmo não divulgando o valor necessário à instalação do equipamento, Ximenes afirma que a economia é de cerca de R$ 21.000 por quilômetro/mês, considerando-se a fatura cheia da energia elétrica. Além disso, o custo de instalação de cada poste é cerca de 10% menor que o convencional, isso porque economiza transmissão, subestação e cabeamento. A alternativa teria, também, um forte impacto no consumo da iluminação pública, que atualmente representa 7% da energia no estado. "Com os novos postes, esse consumo passaria para próximo de 3%", garante, ressaltando que, além das vantagens econômicas, existe ainda o apelo ambiental. "Uma vez que não haverá contaminação do solo, nem refugo de materiais radioativos, não há impacto ambiental", finaliza Fernandes Ximenes.

Vento e Sol
Com a inauguração, em agosto do ano passado, do parque eólico Praias de Parajuru, em Beberibe, o Ceará passou a ser o estado brasileiro com maior capacidade instalada em geração de energia elétrica por meio dos ventos, com mais de 150 megawatts (MW). Instalada em uma área de 325 hectares, localizada a pouco mais de cem quilômetros de Fortaleza, a nova usina passou a funcionar com 19 aerogeradores, capazes de gerar 28,8 MW. O empreendimento é resultado de uma parceria entre a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a empresa Impsa, fabricante de aerogeradores. Além dessa, a parceria prevê a construção de dois outros parques eólicos – Praia do Morgado, com uma capacidade também de 28,8 MW, e Volta do Rio, com 28 aerogeradores produzindo, em conjunto, 42 MW de eletricidade. Os dois parques serão instalados no município de Acaraú, a 240 quilômetros de Fortaleza.Se no litoral cearense não falta vento, no interior o que tem muito são raios solares. O calor, que racha a terra e enche de apreensão o agricultor em tempos de estiagem, traz como consolo a possibilidade de criação de emprego e renda a partir da geração de energia elétrica. Na região dos Inhamuns, por exemplo, onde há a maior radiação solar de todo o país, o potencial é que sejam produzidos, durante o dia, até 16 megajoules (MJ – unidade de medida da energia obtida pelo calor) por metro quadrado.
Essa característica levou investidores a escolher a região, especificamente o município de Tauá, para abrigar a primeira usina solar brasileira. O projeto está pronto e a previsão é que as obras comecem no final deste mês (abr10). O empreendimento contará com aporte do Fundo de Investimento em Energia Solar (FIES), iniciativa que dá benefícios fiscais para viabilizar a produção e comercialização desse tipo de energia, cujo custo ainda é elevado em relação a outras fontes, como hidrelétricas, térmicas e eólicas.
A usina de Tauá será construída pela MPX – empresa do grupo EBX, de Eike Batista – e inicialmente foi anunciada com uma capacidade de produção de 50 MW, o que demandaria investimentos superiores a US$ 400 milhões. Dessa forma, seria a segunda maior do mundo, perdendo apenas para um projeto em Portugal. No entanto, os novos planos da empresa apontam para uma produção inicial de apenas 1 MW, para em seguida ser ampliada, até alcançar os 5 MW já autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os equipamentos foram fornecidos pela empresa chinesa Yingli.
Segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Antônio Balhmann, essa ampliação dependerá da capacidade de financiamento do FIES. Aprovado em 2009 e pioneiro no Brasil, o fundo pagaria ao investidor a diferença entre a tarifa de referência normal e a da solar, ainda mais cara. "A energia solar hoje é inviável financeiramente, e só se torna possível agora por meio desse instrumento", esclarece. Ao todo, estima-se que o Ceará tem potencial de geração fotovoltaica de até 60.000 MW.
Também aproveitando o potencial do estado para a energia solar, uma empresa espanhola realiza estudos para definir a instalação de duas térmicas movidas a esse tipo de energia. Caso se confirme o interesse espanhol, as terras cearenses abrigariam as primeiras termossolares do Brasil. A dimensão e a capacidade de geração do investimento ainda não estão definidas, mas se acredita que as unidades poderão começar com capacidade entre 2 MW a 5 MW.

Bola da vez
De fato, em todas as partes do mundo, há esforços cada vez maiores e mais rápidos para transformar as energias limpas na bola da vez. E, nesse sentido, números positivos não faltam para alimentar tal expectativa. Organismos internacionais apontam que o mundo precisará de 37 milhões de profissionais para atuar no setor de energia renovável até 2030, e boa parte deles deverá estar presente no Brasil. Isso se o país souber aproveitar seu gigantesco potencial, especialmente para gerar energias eólica e solar. Segundo o Estudo Prospectivo para Energia Fotovoltaica, desenvolvido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), o dever de casa no país passa, em termos de energia solar, por exemplo, pela modernização de laboratórios, integração de centros de referência e investimento em desenvolvimento de tecnologia para obter energia fotovoltaica a baixo custo. Também precisará estabelecer um programa de distribuição de energia com sistemas que conectem casas, empresas, indústria e prédios públicos.
"Um dos objetivos do estudo, em fase de conclusão, é identificar as oportunidades e desafios para a participação brasileira no mercado doméstico e internacional de energia solar fotovoltaica", diz o assessor técnico do CGEE, Elyas Ferreira de Medeiros. Por intermédio desse trabalho, será possível construir e recomendar ações estratégicas aos órgãos de governo, universidades e empresas, sempre articuladas com a sociedade, para inserir o país nesse segmento. Ele explica que as vantagens da energia solar são muitas e os números astronômicos. Elyas cita um exemplo: em um ano, a Terra recebe pelos raios solares o equivalente a 10.000 vezes o consumo mundial de energia no mesmo período.
O CGEE destaca, em seu trabalho, a necessidade de que sejam instituídas políticas de desenvolvimento tecnológico, com investimentos em pesquisa sobre o silício e sistemas fotovoltaicos. Há a necessidade de fomentar o desenvolvimento de uma indústria nacional de equipamentos de sistemas produtivos com alta integração, além de incentivar a implantação de um programa de desenvolvimento industrial e a necessidade de formação de profissionais para instalar, operar e manter os sistemas fotovoltaicos.

Fonte: Revista Fiec

Projeto quer dar viabilidade econômica e ambiental a postes eólicos em vez de postes de energia elétrica

Há sete anos, o fortalezense Fernando Alves Ximenes, proprietário da empresa Gram Eollic, resolveu elaborar um projeto que pretende comprovar a viabilidade econômica e ambiental da instalação e manutenção dos postes eólicos no lugar dos postes convencionais de energia elétrica, existentes em rodovias e praças públicas.

A ideia despertou o interesse do Governo do Estado, que está testando o equipamento no Palácio Iracema, dando apoio à iniciativa, que, segundo Ximenes, é uma experiência pioneira no Brasil e no mundo. "Há algo parecido apenas no Japão, mas as baterias são enterradas na terra e não suspensas", adverte.

"Trata-se de um Produtor Independente de Energia (PIE), explica. "Desenvolvemos essa tecnologia nesses últimos anos aqui no Ceará. Temos o apoio do governador e do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará (Indi/Fiec) para abrir caminho a um forma de energia livre de poluentes, resíduos gasosos, líquidos ou térmicos. Não há contaminação do solo nem refugo de materiais radioativos, ou seja, não há impacto ambiental, o que significa custo baixo".

O poste eólico é composto por um gerador de energia (as hélices), um poste galvanizado, desenvolvido em aço, entre 12 e 18 metros de comprimento, uma bateria com capacidade para 70 horas e uma lâmpada tipo LED, com vida útil de 50 mil horas. "O equipamento é todo produzido aqui. Há alguns materiais importados, mas o desenvolvimento do projeto é cearense, com muito orgulho. Também há sensores, que podem ser trocados a cada quatro anos, para evitar que as lâmpadas fiquem ligadas durante o dia".

De acordo com Ximenes, o poste eólico garante que a energia alternativa seja utilizada, normalmente, por um bom período, mesmo em condições climáticas adversas. "Pode parar de ventar por sete dias que o gerador vai liberar a energia armazenada sem nenhum problema", afirma.

Ainda de acordo com o dono do invento, o poste e o gerador têm vida útil de, aproximadamente, 20 anos cada. A lâmpada proporciona iluminação oito vezes superior às demais utilizadas, atualmente. "É um projeto inovador, pioneiro no mundo. Um poste eólico pode gerar energia para ele próprio e mais dois. Viabiliza a instalação por quilômetro, no caso das rodovias, porque elimina o custo variável de transmissão ou pedágio de energia. Além da tarifa de consumo ser zero", diz Ximenes.

Fonte: Diario do Nordeste/Negócios
Reportagem: ILO SANTIAGO JR.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

"A Natureza, mestra e protetora da infância"

31º Fórum 
"A Natureza, mestra e protetora da infância"
Dia 12 de junho (sábado), das 9h às 12h, na UMAPAZ

A Aliança pela Infância convida a todos para o 31º Fórum, evento que encerrará as atividades do 1º semestre, em São Paulo. Os Fóruns são espaços de discussão, reflexão e aprendizagem e têm o objetivo de ampliar e aprofundar a compreensão da infância através do diálogo entre diferentes perspectivas, com o olhar voltado para a situação atual da infância.

No dia 12 de junho, o tema a ser enfocado será "A Natureza, mestra e protetora da infância", apresentado por Adriana Fortes. O evento é gratuito, realizado mensalmente em parceria com a Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz - UMAPAZ. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas via internet (www.aliancapelainfancia.org.br).

O processo cultural de desvalorização da natureza na atual sociedade de consumo tende a nos afastar do contato com a terra e das experiências significativas de contato com toda a diversidade da vida. Mas, se dermos corda nas memórias da infância e deixarmos cantarem as lembranças, quantas canções não serão dos encontros com a natureza? Podemos saber quantas vezes fomos confortados pelo choro da chuva, pelo canto alegre de um pássaro, pelo silêncio de uma árvore? A terra que nos acolhe é mais que o sustento para os nossos pés.

Adriana Fortes é coordenadora de permacultura Projeto Anchieta (Grajaú, SP), pós-graduanda em Ecologia, Arte e Sustentabilidade pela UNESP/UMAPAZ. É atriz formada pela ECA-USP; contadora de estórias e professora de reeducação do movimento (técnica GDS).

Serviço: 31º Fórum da Aliança pela Infânciaparceria com a UMAPAZ
Tema: "A Natureza, mestra e protetora da infância"
Data e Horário: 12 de junho (sábado), das 9h às 12h
Local: UMAPAZ - Av. IV Centenário, 1268 - portão 7 A, Parque Ibirapuera
Informações e Inscrições: www.aliancapelainfancia.org.br

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Código Florestal.

Aldo Rebelo apresenta seu relatório de mudanças no Código Florestal. Seu texto anistia desmatadores, legitima a devastação e abre espaço para novos desmatamentos.

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) finalmente apresentou seu relatório na Comissão Especial criada pela Câmara dos Deputados para consolidar as propostas de alteração do Código Florestal. A bancada da motosserra à qual Aldo se ligou umbilicalmente nos últimos meses, está, obviamente, exultante. O relator fez um serviço ainda melhor do que eles esperavam.

Na prática, o relatório de Aldo propõe reverter 76 anos de evolução de nossa legislação ambiental. É, portanto, um retrocesso. Legitima o corte indiscriminado do passado recente e abre brechas para novos desmatamentos. Sugere também que desenvolvimento só se faz com destruição da natureza e passa o custo integral da conservação para o contribuinte brasileiro. “O deputado está propondo a socialização dos custos da devastação e a privatização dos lucros imediatos que ela gera”, diz Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace.

Aldo propõe o fim da função social da propriedade rural no Brasil. Seu texto revoga um artigo que estava na versão original do código, de 1934, e que foi mantido na revisão feita em 1965. Ele tratava as florestas como bens públicos. Pelo que Aldo escreveu, se o contribuinte não estiver disposto a pagar pela conservação ambiental, o fazendeiro pode fazer o que bem lhe der na telha nas terras que ocupa. Foi este tipo de mentalidade, por exemplo, que transformou uma das áreas mais férteis do país, o Vale do Paraíba, entre Rio e São Paulo, numa terra imprestável para a atividade agrícola.

O texto de Aldo também agracia com o benefício da anistia quem, pela legislação em vigor, cometeu crime ambiental. Qualquer desmatamento feito até 22 de julho de 2008 – não importando o tamanho da propriedade – estaria, pela proposta do ex-comunista que virou ruralista, automaticamente perdoado. A Reserva Legal, o pedaço de qualquer fazenda que precisa permanecer destinado à mata nativa, também foi trucidada pelo deputado.

Na Amazônia, ele sugere acabar com ela para propriedades com até 600 hectares. Isso já tinha sido previsto pela própria área ambiental do governo em negociações com representantes da agricultura familiar. Mas Aldo aproveitou a deixa e meteu o pé na porta. Nas outras regiões, fazendas com tamanho de até 4 módulos rurais também estão dispensadas de ter a Reserva Legal. Para as propriedades maiores, Aldo manteve a obrigação nos percentuais atuais – 80% para a Amazônia, 35% para o Cerrado e 20% nos demais biomas – mas deu aos estados e municípios a possibilidade de reduzirem esta demanda pela metade

“Aldo no fundo abriu a brecha para se acabar com a Reserva Legal, porque qualquer fazendeiro com mais de 600 hectares de terra na Amazônia poderá fracionar sua propriedade para fugir da obrigação”, aponta Sergio Leitão, diretor de Campanhas do Greenpeace.  Ele sugere também que, para fins de recuperação de uma reserva legal, o fazendeiro pode usar espécies exóticas. Isso, de certo modo, já é uma afronta ao conceito, criado justamente para proteger matas nativas.

Mas do jeito que está escrito, sem especificação de que as espécies usadas na recuperação precisam ser arbóreas, Aldo abre a possibilidade de que um fazendeiro utilize grama ou soja para recuperar sua reserva legal. No caso das áreas de preservação permanente (APP’s), Aldo, além de reduzir a necessidade de manutenção de matas ciliares em alguns rios para 15 metros, dá aos estados o poder de diminuí-las à metade do que exige a legislação federal. Isso inverte uma regra básica da legislação ambiental brasileira, que determina que o que vale é a maior área de proteção.

No artigo 12 de seu texto, Aldo ‘flexibiliza’ a derrubada em encostas entre 25 e 45 graus. Basta uma recomendação do órgão de agricultura estadual para que ela ocorra. E no capítulo X, que trata de incêndios em áreas florestais e rurais, Aldo propõe simplesmente o seu fim. Cuida, no entanto, de deixar uma porta escancarada para a continuidade das queimadas, dizendo que consideradas peculiaridades (não especifica quais) regionais, os estados podem autorizar a queima de campos e florestas.

 Em resumo, usando Marx e Engels para defender práticas capitalistas retrógradas no campo, invocando a bíblia para dizer que a natureza deve se submeter à vontade dos homens e posando de nacionalista para assegurar os interesses do agronegócio exportador de commodities, Aldo Rebelo conseguiu o milagre de produzir uma proposta que põe o Brasil no rumo do atraso e da devastação. Na leitura de seu relatório, ele agradeceu aliás a três eméritos ruralistas no Congresso, Moacir Micheletto, Homero Pereira e Anselmo de Jesus.

Não há de quê, deputado. Quem agradece é a turma da motosserra. Ela não poderia ter sido melhor servida.

Saiba mais no blog do Greenpeace

sábado, 5 de junho de 2010

5 de Junho - dia Mundial do Meio Ambiente

Mais um ano onde lutamos para defender a nossa querida Gaia de todos os impactos negativos que vem sofrendo nos longos desses anos.

"... vem vamos embora que esperar não é saber Quem sabe faz a hora não espera acontecer..."


http://www.youtube.com/watch?v=ikounQ8mLgg&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=JW-DzkZM6YM&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=81ekVbcSno0&feature=fvw

http://www.youtube.com/watch?v=YMFyAIZIiw8&feature=related

Seres de Luz, por Leonardo Boff

A luz constitui um dos maiores mistérios do universo.
 Somente entendendo-a ao mesmo tempo como partícula material e como onda energética
podemos ter uma compreensão mais profunda das dimensões da luz.
Hoje sabemos que todos os seres vivos emitem luz, biofotons, a partir das células da DNA.
Por isso todos nós irradiamos uma bela e brilhante aura.
Fazia-se e faz-se ainda hoje a impressionante comparação  com o Sol, com seus raios de luz,

que nasce como uma criança.
Na medida em que o Sol sobe no firmamento, vai crescendo como um adolescente até chegar à idade adulta ao meio-dia.
Pela tarde vai definhando até ficar velho e morrer atrás da linha do horizonte.
Mas, passada a noite, ele volta a nascer, limpo, brilhante, sorridente como uma criança.
Como não celebrá-lo festivamente?
Como não entendê-lo como sinal da realidade originadora de todas as coisas?
 Nós todos somos seres de luz.
Fomos formados originalmente no coração das grandes estrelas vermelhas, há bilhões de anos.
Carregamos luz dentro de nós, no corpo, no coração e na mente.
Especialmente a luz da mente nos permite compreender os processos da natureza e penetrar no íntimo das pessoas...
E assim perceber a grandiosidade e o mistério luminoso do amor de Deus.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

taxa global de perda de biodiversidade

Países não cumprem metas assumidas na CDB - Washington, DC, 29 de abril de 2010 


Os líderes mundiais não conseguiram cumprir os compromissos assumidos em 2002 para reduzir a taxa global de perda de biodiversidade até 2010 e, ao contrário do prometido, negligenciaram o declínio alarmante da riqueza natural no planeta. Essas constatações integram um novo estudo publicado hoje na revista científica  Science, que constitui a primeira avaliação independente e mais robusta sobre o status do cumprimento das metas traçadas na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) . Os resultados do estudo serão considerados também na Global Biodiversity Outlook 3, publicação oficial da CDB, que será lançada no dia 10 de maio em Nairobi, no Quênia, quando representantes de governos do mundo inteiro irão discutir novas metas e propostas sobre como lidar com a crise da conservação da biodiversidade.

Por meio da compilação de mais de 30 indicadores – que mensuram diferentes aspectos da biodiversidade, incluindo mudanças nas populações das espécies e nas categorias de ameaça de extinção, extensão de seus habitats, cobertura de áreas protegidas etc – o estudo não encontrou evidência de redução significativa na taxa de declínio de perda da biodiversidade e constatou que as pressões sobre esta continuam a aumentar. O estudo fornece evidências que comprovam que as metas para 2010 não foram atingidas. Os indicadores foram desenvolvidos e sintetizados por meio da Parceria de Indicadores da Biodiversidade 2010, resultado da colaboração de mais de 40 organizações  internacionais para o desenvolvimento de indicadores de biodiversidade global e recursos de ponta para informação sobre a biodiversidade global.

“Nossa análise mostra que os governos falharam no cumprimento dos compromissos assumidos em 2002”, diz o principal autor do estudo, Stuart Butchart, cientista do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Programa do Meio Ambiente da ONU e da ONG BirdLife International. “A velocidade da perda da biodiversidade é a mais rápida já evidenciada e há pouco progresso na redução das pressões sobre as espécies, habitats e ecossistemas”, completa. Segundo Butchart, apesar de algumas nações terem colocado em prática políticas para diminuir a perda da biodiversidade, os resultados comprovam que essas políticas têm sido inadequadas e que a lacuna entre as pressões sobre a biodiversidade e as respostas para sua mitigação está cada vez maior.

Para ele, os dados demonstram que 2010 não será o ano no qual a diminuição da perda da biodiversidade será alcançada. “No entanto, este ano precisa ser o ano em que nós começamos a levar esse assunto a sério e tomamos atitudes para cuidar da biodiversidade ainda existente no planeta”, afirma. Na avaliação de Matt Foster, Diretor da ONG Conservação Internacional, a exorbitante perda da biodiversidade já atinge todos nós, mas principalmente aqueles que já são mais vulneráveis e dependentes da natureza para a obtenção de água, de alimentos e de remédios. “Os líderes mundiais, que se reunirão em outubro deste ano para a COP-10 em Nagoya, no Japão, durante a Convenção de Diversidade Biológica, terão que ser mais ambiciosos para impedir a perda da biodiversidade, pois nossa sobrevivência depende disso”, esclarece.

O cientista chefe do Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas, Joseph Alcamo, informa que, desde 1970 as populações de fauna sofreram 30% de redução, a área de mangues e gramas marinhas foi reduzida em 20% e a cobertura de corais vivos em 40%. “Essas perdas são insustentáveis uma vez que a conservação da biodiversidade é chave para o bem-estar humano e para o desenvolvimento sustentável. E isso é reconhecido nos Objetivos do Milênio da ONU”.

Avanços - O estudo reconhece que há resultados importantes em níveis local e nacional no combate à perda da biodiversidade, como  a delimitação de várias áreas protegidas (como, por exemplo, o Parque Nacional do Juruena, em Mato Grosso, com 20.000 km²), a recuperação de algumas espéciesameaçadas  (como é o caso do o Bisão europeu), e a prevenção da extinção de outras (pernilongo de costas negras da Nova Zelândia).

Segundo Paulo Gustavo Prado, Diretor de Política Ambiental da CI-Brasil, o país avançou bastante na criação de novas unidades de conservação, embora ainda faltem esforços substanciais em sua consolidação e em seu uso como unidade de  pesquisa. “Infelizmente, o arcabouço jurídico ainda é muito confuso e frustrante no que se refere aos usos da biodiversidade brasileira. É preciso avançar rapidamente no detalhamento e na implementação dos mecanismos para o cumprimento efetivo dos acordos internacionais de cooperaração técnico-científica de forma a conferir maior visibilidade à importância social da biodiversidade”, aponta.

Apesar desses sucessos encorajadores, os esforços para combater a perda da biodiversidade precisam ser substancialmente incrementados e o investimento no estabelecimento de indicadores  e em um monitoramento efetivo da biodiversidade global é essencial para o rastreamento e a melhoria das estratégias de ação e a eficácia dos resultados.

De acordo com a diretora do programa Amazônia da CI-Brasil, Patrícia Baião, o país irá à reunião de Nagoya reforçando a necessidade de uma plataforma político-científica robusta que promova a tradução de novas descobertas no campo da ciência em ações concretas e claras, nos diferentes níveis, e com agilidade e eficiência. “Além disso, o Brasil levará à COP-10 a proposição de critérios socioambientais que devam ser considerados em quaisquer compras efetuadas pelos governos, visando assim promover cadeias produtivas mais sustentáveis. Sabemos que as transações de compras do setor público representam até 1/3 da economia de países em desenvolvimento, que são também onde teremos maiores chances para reverter o atual quadro de declínio de espécies”, completa.

“As preocupações com a biodiversidade devem ser integradas em todos os setores do governo e dos negócios, e o valor econômico da biodiversidade precisa ser considerado adequadamente nos processos de tomada de decisão. Só então conseguiremos solucionar o problema", alerta Ahmed Djoghlaf, secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica.

A íntegra do artigo Global Biodiversity: Indicators of Recent Declines está disponível na Conservação Internacional mediante solicitação.

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Para  mais informações

Patricia Malentaqui, Conservação Internacional
Escritório +1 703 341-2471 / celular +1 571 225-8345 / p.malentaqui@conservation.org

Isabela Santos, CI-Brasil
(31) 3261-3889 – i.santos@conservacao.org

Os co-autores do estudo representam as seguintes instituições: United Nations Environment Programme, World Conservation Monitoring Centre, BirdLife International, Institute of Zoology (Zoological Society of London), Statistics Netherlands, The University of North Carolina, IUCN, Conservação Internacional, United Nations Environment Programme, Global Environment Monitoring System, IUCN Species Survival Commission, Food and Agriculture Organization of the United Nations, Secretariat of the Ramsar Convention on Wetlands, European Commission Joint Research Centre, Center for Applied Biodiversity Science (CI), Global Footprint Network, University of Virginia, ISPRA, Royal Society for the Protection of Birds, European Bird Census Council, University of Queensland, University of Cambridge, National Center for Atmospheric Research, WWF International, Centre for Invasion Biology and Cape Research Centre (South African National Parks), UNESCO, TRAFFIC International, University of British Columbia, National Centre for Biological Sciences (Tata Institute of Fundamental Research), The Nature Conservancy, USGS Patuxent Wildlife Research Center, American Bird Conservancy, Stellenbosch University, University of Bath, e the Al Ain Wildlife Park & Resort.

Sobre a Conservação Internacional
Tendo como base os alicerces sólidos da ciência, as parcerias e as demonstrações em campo, a Conservação Internacional possibilita que as sociedades cuidem da natureza – nossa biodiversidade global -, de forma responsável e sustentável, para o bem-estar da humanidade. Com sede em Washington, DC, a CI atua em mais de 40 países em quatro continentes.

Para obter mais informações acesse www.conservacao.org e www.conservation.org

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Manguezais estão na Lista Vermelha de espécies ameaçadas

Estudo mostra que mais de uma entre seis espécies de manguezais no mundo estão ameaçadas de extinção.
Washington, USA, 14 de abril de 2010 —

De acordo com a primeira avaliação global sobre o estado de conservação dos manguezais realizado pelas organizações não-governamentais IUCN e Conservação Internacional (CI), mais de uma em cada seis espécies de manguezais existentes no planeta correm perigo de extinção devido, em parte, ao desenfreado desenvolvimento urbano em regiões litorâneas e costeiras, e à diversos outros fatores, incluindo as mudanças climáticas, o desmatamento e a agricultura.

Os estudos foram conduzidos pela Unidade de Avaliação Global de Espécies Marinhas (Global Marine Species Assessment Unit – GMSA), segmento que faz parte da Unidade de Avaliação da Biodiversidade, uma iniciativa conjunta da IUCN e CI, juntamente com os maiores especialistas em manguezais do mundo. Publicado na última semana no jornal científico PLoS ONE, a pesquisa mostra que 11 das 70 espécies de manguezais (16%) analisadas entraram na Lista Vermelha de Espécies Ameaçdas da IUCN. Os resultados da pesquisa mostram que as  costas Atlântica e Pacífica da América Central se configuram como as regiões mais afetadas mundialmente, onde mais de 40% das espécies são consideradas ameaçadas de extinção.

“A perda potencial dessas espécies é um sintoma da destruição e exploração generalizada das florestas de mangue,” afirma Beth Polidoro, pesquisadora associada ao GMSA na Old Dominion University e principal autora do estudo. “Os maguezais formam um dos mais importantes habitats tropicais que mantem diversas espécies de vida, e sua perda pode afetar a biodiversidade marinha e terrestre muito mais amplamente”, continua.

Berçários da vida marinha em perigo – Os manguezais nascem do encontro entre a água salgada e a costa em regiões tropicais e subtropicais, servindo como uma interface entre ecossistemas terrestres, marinhos e de água doce. Estima-se que as florestas de mangues sejam responsáveis por prover até 1.6 bilhões de dólares por ano em serviços dos ecossistemas.

Além de sua importância natural para a manutenção da vida nos oceanos, os manguezais também desempenham um importante papel no cotidiano de comunidades costeiras, protegendo estas localidades dos danos causados por tsunamis, erosões e tempestades, e servindo como berçário para peixes e outras espécies que garantem a subsistência costeira. Somado a isso, está a incrível habilidade que os manguezais possuem de sequestrar carbono da atmosfera, funcionando tanto como fonte quanto como repositório de nutrientes e sedimentos para outros habitats marinhos, como os leitos de águas marinhas e recifes de corais.

Proteção urgente é necessária principalmente para duas espécies de manguezais que estão classificadas como criticamente ameaçadas, ou seja, com maior probabilidade de extinção segundo a Lista Vermelha da IUCN. São elas: Sonneratia griffithii e Bruguiera hainesii.

A Sonneratia griffithii é encontrada na Índia e no sudeste da Ásia, onde 80% dos manguezais foram perdidos nos últimos 60 anos. Já a Bruguiera hainesii é uma espécie ainda mais rara, que cresce apenas em uma pequena parte da Indonésia, Malásia, Tailândia, Myanmar, Singapura e Papua Nova Guinea. Estima-se que existam menos de 250 árvores maduras restantes dessa espécie.

“A perda dos manguezais terá consequências devastadoras para a economia e o meio ambiente,” diz Greg Stone, vice presidente do Programa Marinho da Conservação Internacional. “Esses ecossistemas não são apenas um componente vital nos esforços contra as mudanças climáticas, mas também protegem algumas das populações mais vulneráveis do planeta de climas extremos, funcionando como fontes de comida e renda”, finaliza.

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